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Ninguém sabe o que aconteceu a dois homens, 38 dias depois

Foto Nuno André Ferreira / Lusa

O fogo de 15 de outubro matou 45 pessoas e apagou o rasto de outras duas. A Polícia Judiciária, com apoio do Laboratório de Polícia Científica, ainda está a investigar o que terá acontecido a dois homens – um de Folgosinho, no concelho de Gouveia, e outro da Sertã. A família de um deles pediu ajuda nas redes sociais para o encontrar

Mais de um mês depois dos incêndios de 15 de outubro, ainda há dois homens dados como desaparecidos. Um deles, de 49 anos, desaparecido desde a madrugada de dia 16 de outubro, é da vila de Folgosinho, no concelho da Guarda.

O outro, de 74 anos, é de uma pequena localidade na Sertã em Castelo Branco. Segundo a Proteção Civil, 38 dias depois, as investigações ainda decorrem e estão nas mãos da Polícia Judiciária com apoio do Laboratório de Polícia Científica.

“Este é o meu irmão Rui Costa, de 49 anos. Está dado como desaparecido desde a madrugada de 16 outubro, depois de um incêndio de enormes proporções ter cercado a vila de Folgosinho, no concelho de Gouveia, Serra da Estrela. Já foram feitas buscas pelas autoridades, pela família e amigos, mas sem sucesso ou indícios do que possa ter acontecido”, escreveu a irmã, Célia Costa, no Facebook, no início desta semana, num post que já foi partilhado por mais de 6 mil pessoas. “Na esperança de que tenha fugido, e eventualmente esteja em estado de choque, a família publica esta comunicação com o objetivo de fazer chegar o pedido de ajuda ao máximo de pessoas possível nas redes sociais.”

Nos dias que se seguiram ao fogo, a GNR procurou Rui Costa, mas não o encontrou. Assim, acabaria por passar o caso para a Polícia Judiciária, que tem agora a seu cargo a investigação. Os bombeiros de Folgosinho confirmaram ao Expresso não ter mais nenhum sinal do rasto do homem que desde então está desaparecido e de quem pouco se sabe. O Expresso também contactou a família, mas não obteve resposta.

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Sem rasto

Ainda que sem confirmação da morte, o caso do homem da Sertã, que vivia na localidade de Vale do Laço, tem contornos diferentes. Segundo a Câmara Municipal, no dia dos incêndios o homem, de 74 anos, e o irmão, com cerca de 50, tentaram apagar o fogo que apanhou a casa onde viviam, na freguesia de Troviscal. “Viviam os dois sozinhos e tinham problemas de audição. Há um testemunho muito forte do irmão que relata o que aconteceu, com uma forte possibilidade de o homem ter de facto morrido carbonizado”, relata António Simões, adjunto do presidente da Câmara da Sertã.

Apenas com baldes, os dois irmãos tentaram controlar as chamas. “Aquelas são casas de madeira e assim que o homem subiu para um dos pisos, as tábuas partiram-se com o peso, segundo conta o irmão. Ele ainda tentou dar-lhe a mão, mas não o conseguiu agarrar.” António Simões lembra que se o fogo foi capaz de derreter o vidro, “como vimos naquelas imagens da garrafeira em Álvaro”, uma freguesia de Oleiros, percebe-se que tenha sido capaz de não deixar qualquer vestígio do corpo carbonizado. “Foi apenas encontrada uma fivela do cinto”, acrescenta. A autarquia da Sertã diz ter colaborado com tudo o que lhes foi pedido na altura, tendo o caso entretanto ficado “nas mãos das autoridades”.

Por enquanto, e a poucas semanas de se iniciar o processo de apresentação de requerimentos para acesso às indemnizações, nenhum dos dois casos tem um desfecho, continuando ainda a ser classificados apenas como ‘desaparecidos’.