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AIR Center. Supercomputador na Universidade do Minho é o primeiro projeto do Centro Internacional de Investigação do Atlântico

O AIR Center poderá instalar uma base espacial na ilha de Santa Maria, nos Açores, onde já existem estações de rastreio de satélites da Agência Espacial Europeia e da NASA

ESA

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

A instalação de um supercomputador para o processamento de grandes quantidades de dados científicos na Universidade do Minho é o primeiro projeto que vai ser concretizado no âmbito do AIR Center, o Centro da Investigação Internacional do Atlântico, com sede nos Açores, que foi esta semana formalmente criado na Cimeira de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, no sul do Brasil.

Assim, no dia 25 de novembro, na Universidade do Minho (UM), é assinado um memorando de entendimento entre a UM, a Universidade do Texas em Austin (EUA) e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), para a instalação do Centro de Computação Avançada do Minho (MAAC) e da AIR Center Data Intelligence Network. A cerimónia contará com a presença do reitor eleito da UM, Rui Vieira de Castro, e do reitor cessante, António Cunha, bem como do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, do presidente da FCT, Paulo Ferrão, e do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Fernando Freire de Sousa.

A Universidade do Texas em Austin tem uma parceria na área da computação avançada com universidades, centros de investigação, empresas e agências governamentais portuguesas - o UT Austin-Portugal CoLab - e participa no AIR Center.

Criação do AIR Center na Cimeira de Florianópolis no Brasil

No Brasil, a Declaração de Florianópolis para a fundação do AIR Center foi assinada pelos governos de Portugal, Brasil, Espanha, Angola, Cabo Verde, Nigéria, Uruguai, S. Tomé e Príncipe e Governo Regional dos Açores. O Reino Unido e a África do Sul estão, para já, como países observadores no novo centro internacional de investigação, que integra pela primeira vez no mundo o espaço, os oceanos, o clima, a energia e a ciência de dados.

Apesar de a futura sede se localizar nos Açores, numa cidade ainda a escolher, o AIR Center funcionará em rede com centros de investigação e infraestruturas científicas espalhadas pelo mundo, em especial nos países fundadores. Um dos projetos previstos para os Açores é a construção de uma base espacial para o lançamento de minissatélites, um mercado emergente, provavelmente na ilha de Santa Maria, que já possui diversas infraestruturas de rastreio de satélites (ver foto) da Agência Espacial Europeia (ESA) e da NASA.

O ministro português da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, afirmou à agência Lusa que o AIR Center vai ser "uma instituição orientada essencialmente para as interações atlânticas, com uma agenda inovadora naquilo que é a integração das tecnologias do espaço, oceânicas e para o clima, incluindo ainda a ciência da computação e a ciência de dados".

Centros de computação dos EUA e Espanha

Quanto à instalação do supercomputador do AIR Center na Universidade do Minho, Manuel Heitor revelou que, além da Universidade do Texas em Austin está também envolvido o Centro de Supercomputação de Barcelona. Por isso, "com os dois principais centros de computação nos EUA e na Europa, vamos conseguir ter o acesso a formas de cálculo rápido para processar muita informação" do espaço, oceanos, clima e energia.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, Gilberto Kassab, garantiu em declarações à Lusa que "o Brasil vai colocar recursos financeiros em projetos e assumir o compromisso do desenvolvimento do AIR Center". Portugal e Espanha já fizeram a mesma promessa e o arranque do centro vai acontecer até ao final de 2018, depois da comissão instaladora definir um plano de financiamento e um plano de desenvolvimento institucional. Até lá ainda serão realizadas mais duas cimeiras: a 8 e 9 de maio de 2018 em Cabo Verde e em novembro nas Canárias.

Além de centros de investigação, universidades e institutos portugueses e estrangeiros, há diversas multinacionais envolvidas no AIR Center, como a Elecnor Deimos (Espanha), Thales (França), EDP Inovação, Lusospace e Tekever (Portugal).