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Presidente da Câmara do Funchal recusa-se novamente a prestar depoimento sobre a tragédia do Monte

homem de gouveia/ lusa

Paulo Cafôfo negou-se por duas vezes a ir à audição parlamentar sobre a queda da árvore que matou 13 pessoas a 15 de agosto: em outubro alegou questões da agenda, agora refere que não foi invocado “qualquer fundamento e fim específico” que justifique prestar depoimento urgente perante os deputados da comissão de Saúde e Assuntos Sociais

Marta Caires

Jornalista

Primeiro não teve disponibilidade de agenda, agora entende que não se justifica prestar “depoimento urgente” na audição parlamentar sobre a tragédia do Monte criada na Assembleia Legislativa da Madeira e que visa esclarecer o que aconteceu a 15 de agosto no Largo da Fonte, quando uma árvore caiu sobre a multidão e matou 13 pessoas. Paulo Cafôfo, no ofício enviado ao presidente do Parlamento regional, alega ainda que, como está a decorrer um inquérito no Ministério Público, o inquérito parlamentar terá de ser suspenso “até ao trânsito em julgado da correspondente sentença judicial”.

O autarca refere que a decisão de não comparecer na audição tem por objetivo “evitar qualquer perturbação do inquérito judicial”, mas também todo “o alarme social e aproveitamento político de circunstâncias trágicas”. O presidente da Câmara do Funchal diz também que, por respeito às vítimas e para salvaguardar os interesses da justiça e da investigação, só “considerará a possibilidade” de depoimento parlamentar em “caso de surgirem circunstâncias excecionais”. Além do mais, os funcionários da Câmara do Funchal começaram a ser ouvidos a 17 de novembro, o que o obriga já ao segredo de justiça.

Esta é, no entanto, a segunda vez que Cafôfo evita comparecer perante a audição parlamentar da Assembleia Legislativa da Madeira. Da primeira vez, a ida esteve marcada para 30 de outubro, mas o autarca disse que não podia comparecer por motivo de agenda e deu duas datas possíveis: 10 ou 17 de novembro. O que acabou por não acontecer pelos motivos expostos de não ser urgente e não colidir com o inquérito a decorrer no Ministério Público.

De referir que a colisão entre a investigação do Ministério Público com outra investigação ocorreu nos dias a seguir à tragédia, quando a Câmara do Funchal colocou no local do acidente funcionários e peritos contratados pela autarquia a averiguar as possíveis causas da queda do carvalho no Largo da Fonte, no Monte. Os peritos e os funcionários municipais acabaram por ser retirados do local do acidente dias depois por ordem do Ministério Público.

A 22 de setembro, por iniciativa do deputado independente Gil Canha, um dos vereadores da Câmara do Funchal afastados por Cafôfo, foi criada a audição parlamentar na comissão de Saúde e Assuntos Sociais, mas o PSD entendeu que só se iria discutir as circunstâncias do acidente que matou 13 pessoas e feriu 50 depois das eleições autárquicas, para evitar qualquer tipo de aproveitamento político da tragédia do Largo da Fonte, ocorrida a 15 de agosto, dia da festa da padroeira da Madeira. A árvore, um carvalho, caiu sobre as multidão que esperava pela procissão e as pessoas que pagavam promessas.

A discussão sobre as eventuais responsabilidades no acidente começaram no próprio dia da tragédia, quando se soube de alertas da junta de freguesia à Câmara do Funchal sobre as garantias de segurança do Largo e notícias da queda de ramos dos plátanos. A polémica acabou por envolver a Diocese do Funchal, já que, na conferência de imprensa no dia do acidente, Paulo Cafôfo disse que os terrenos onde estava o carvalho eram propriedade da paróquia. A diocese, no entanto, alegou sempre que não existia registo de que aquela propriedade fosse da Igreja.

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