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Trabalho em equipa: alunos portugueses na média da OCDE

RICARDO ARDUENGO / AFP / Getty Images

O último relatório dos testes PISA avaliou a capacidade dos alunos de resolverem problemas em colaboração uns com os outros. Estudantes do Alentejo Litoral e Lezíria do Tejo tiveram os melhores resultados a nível nacional

Além dos conhecimentos e capacidades de cada aluno de no que respeita à literacia matemática, científica e de leitura, o último teste PISA – a maior avaliação internacional na área da Educação – também permitiu apurar em que medida dois ou mais alunos conseguem juntar-se e trabalhar em conjunto para resolver resolver os problemas. E neste domínio, testado pela primeira vez, os jovens portugueses de 15 anos integram o conjunto de países cujos resultados não diferem significativamente da média da OCDE.

Os dados deste último capítulo do PISA (Programme for International Student Assessment, conduzido pela OCDE), foram divulgados esta terça-feira. Numa escala cujo ponto médio são os 500 valores, Portugal atingiu os 498, considerando-se que está na média da organização.

França, Itália, Luxemburgo são alguns dos países da OCDE que ficam a perder na comparação com Portugal, nota o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), na sua análise aos dados. Já em relação a Espanha, a pontuação obtida neste domínio é semelhante.

A OCDE sublinha que esta capacidade – a que dá o nome de "resolução colaborativa de problemas" – é cada vez mais importante e necessária no mundo atual. Por isso, os sistemas de educação "têm de fazer muito mais na promoção desta competência, trabalhando-a ao longo dos currículos", defende o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría.

De acordo com a análise do IAVE, os resultados para Portugal mostram diferenças significativas entre regiões: Alentejo Litoral e Lezíria do Tejo, com pontuações médias de 530 e 528 pontos, respetivamente, destacam-se nesta comparação, já que apresentaram resultados bem acima da média nacional.

Os estudantes destas duas regiões, além de apresentarem resultados médias bons, também se destacam por ter uma percentagem ínfima (menos de 2%) de jovens com capacidade de colaboração na resolução de problemas abaixo do nível elementar de proficiência (abaixo dos 340 pontos).

No extremo oposto, destacam-se pela negativa as regiões dos Açores, Tâmega e Trás-os-Montes, com resultados médios entre os 446 e 467 pontos, bem abaixo da média do país

Asiáticos voltam a dominar

O último relatório do PISA também mostra que os países que se saíram melhor nas literacias matemática, científica e de leitura voltam a repetir os bons desempenhos na resolução colaborativa de problemas.

É o caso de Singapura, Japão, Hong Kong e Coreia do Sul, que ocupam as primeiras quatro posições neste último ranking (obtiveram entre 561 e 535 pontos). Logo a seguir surgem Canadá, Estónia, Finlândia, Macau (China), Nova Zelândia e Austrália.

Os dados globais – que resultam de uma análise ao desempenho de 125 mil alunos de 52 países – também mostram que, no geral, as raparigas saem-se melhor do que os rapazes no trabalho colaborativo. Olhando para o estatuto socioeconómico, não foi encontrada uma relação entre os dois factores.

O estudo olhou ainda para outras variáveis e concluiu que a prática de ginástica e desporto influenciam positivamente a atitude e a resolução de problemas em conjunto. Já em relação ao tempo despendido com videojogos em casa, verificou-se que quem joga tem desempenhos ligeiramente inferiores aos colegas que não o fazem.