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Candidatura à EMA: “Até à última contagem, o Porto está no lote dos mais fortes”, diz o ministro da Saúde

Adalberto Campos Fernandes afirma que o Porto e o país responderam com competência à corrida para acolher a sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA). Rui Moreira, otimista, frisa que a candidatura superou a corrida de obstáculos sem ter caído em nenhum até à decisão de segunda-feira

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

No dia em que a Comissão Nacional de Candidatura à Agência Europeia do Medicamento (EMA, em inglês) se reúne, pela última vez, no Porto, o ministro da Saúde garantiu que Portugal e a cidade prestigiaram o país, ao responder com competência e qualidade ao desafio para relocalizar a sede do regulador europeu, de saída de Londres na sequência do Brexit. “Até ao final da última contagem, a candidatura portuguesa está no lote das mais fortes”, assegurou Adalberto Campos Fernandes, esta sexta-feira, no Porto, concluindo que qualquer que seja o resultado abriram-se portas para a cidade a nível económico e científico.

Após Rui Moreira e a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, terem referido que a candidatura portuense cumpriu todos os critérios e requisitos exigidos à 19 candidaturas concorrentes, Campos Fernandes afiançou ainda que o Governo envolveu todo o dispositivo diplomático ao seu alcance na candidatura, incluindo o “primeiro-ministro”. Até segunda-feira, segue-se um período de reflexão, que se espera que traga “as melhores notícias possíveis”.

Em conferência de Imprensa na Câmara do Porto, também Ana Paula Zacarias sublinhou o intenso trabalho diplomático para convencer os 27 países-membros da UE envolvidos na votação das 19 cidades em prova, “uma corrida renhida, que passa por um sistema de votação complexo”, sabendo-se de antemão que a vitória final terá muito de jogo político. A secretária de Estado lembrou que todos os candidatos cumprem os critérios exigidos, tendo sido feitas diligências por toda a “rede de embaixada, bem como de vários membros do Governo e António Costa”.

A três dias do veredicto, o presidente da Câmara do Porto, que se confessa um otimista, adianta que independentemente de a EMA ir ou não para o Porto, para a cidade “nada será como dantes”, por ter entrado no mapa das cidades capazes de acolher entidades europeias desta natureza. “Se correr bem, perfeito; se não acontecer, ficou provado que estamos à altura de um campeonato onde nunca estivemos até hoje”, concluiu, frisando que a candidatura superou uma prova de obstáculos, sem cair em nenhum.

Questionado sobre o custo da candidatura, o ministro da Saúde optou por responder, não com números, mas com a garantia que numa análise custo/benefício o país ganhou em notoriedade com o investimento feito. Caso a candidatura nacional não vença, não haverá a tentação de dizer que foi pelo facto de ter sido o Porto o escolhido e não Lisboa? Direto, Rui Moreira respondeu que o Porto era o mais forte por contar com a vantagem da dispersão geográfica: “O que é relevante. Felizmente Lisboa já tem duas”.

À escassez de voos diretos do Porto em comparação com o aeroporto de Lisboa, o autarca crítico da política de voos da TAP e do Governo explicou que “as ligações aéreas são as que são”, embora ressalvando que desde que o Porto se candidatou à EMA “a palete de ligações diretas é mais diversa face à instalação de mais empresas de bandeira no Porto”, caso da Transat, que voa para o Canadá, e da americana United Air Lines, que voará do Aeroporto Francisco Sá Carneiro para Nova Iorque.