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Portugal e Espanha fizeram pacto de votação mútua na candidatura a sede da Agência do Medicamento

A atual sede da agência europeia do medicamento, em Londres

A uma semana da escolha da nova cidade-sede para a Agência Europeia do Medicamento, o Governo espanhol lançou uma ofensiva diplomática em defesa de Barcelona e apresenta a candidatura catalã como fator de estabilidade política do país. Portugal apoia a candidatura vizinha em troca de apoio ao Porto

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O governo espanhol lançou, esta segunda-feira, uma última ofensiva diplomática para somar os votos necessários para que os Estados-membros da União Europeia escolham Barcelona para sede da candidatura da Agência Europeia do Medicamento (EMA), no próximo dia 20 de novembro, em Bruxelas. A investida durará toda a semana por parte da presidência do Governo, Ministério do Exterior e da Saúde, a que se junta o socialista Jaume Coolboni, do Ayuntamiento de Barcelona, tendo por prioridade recolher apoios entre os países do Báltico e sul da Europa.

De acordo com o “La Vanguardia”, que cita fontes da candidatura catalã à EMA, Barcelona já terá conseguido ou estará prestes a garantir os votos de diversos países, entre os quais figuram Portugal, Chipre, Roménia, Bulgária e Grécia. O sistema de votação é quase similar ao do festival da canção Eurovisão, dispondo cada um dos 27 Estado-membro, numa primeira ronda, de seis pontos para votar por ordem de preferência em três candidaturas - três pontos para a predileta, dois e um para as outras duas favoritas.

Ao que o Expresso apurou, Portugal e Espanha - que sendo o voto secreto votarão em primeiro lugar em causa própria - fizeram um pacto de votarem as respetivas candidaturas com dois pontos, acordo gizado ainda antes do referendo da Catalunha. “Sendo dois países vizinhos e parceiros privilegiados, a lógica é apoiar o candidato que fique localizado o mais próximo possível para, em caso de derrota, poder ainda assim colher benefícios no cluster da saúde e de mobilidade de emprego especializado”. refere fonte da candidatura portuguesa.

O acordo terá sido negociado entre a secretária de Estados dos Assuntos Europeus Ana Paula Zacarias e o seu homólogo Jorge Toledo. Tal como as fontes contactadas pelo jornal La Vanguardia, que negam qualquer credibilidade sobre o favoritismo de Milão e Bratislava, conforme avançou sexta-feira o Financial Times, também Eurico Castro Alves desvaloriza esta informação, que atribui a notícia ao poderoso lóbi italiano juntos da imprensa estrangeira. “Mais de metade das candidaturas não cumprem todos os requisitos técnicos, como é o caso de Bratislava, que não assegura a normal continuidade atividade da EMA após a mudança de Londres, dada a rejeição da mudança para a Eslováquia de 95% dos funcionários da agência”, refere o ex-secretário de Estado da Saúde e um dos dois coordenador da candidatura do Porto.

Questionado sobre se a estratégia de votação mútua com Espanha se mantém, Castro Alves remete a posição portuguesa para o Ministério Dos Negócios Estrangeiros, que coordenada a corrida candidatura do Porto em termos de diplomacia e lóbi de influência. “O que posso garantir é que a nossa candidatura cumpre todos os requisitos técnicos e Portugal tem feito um notável trabalho de diplomacia por toda a Europa”, diz o membro da Comissão Nacional de Candidatura, que manteve na passada semana conversações com todos os ministros da saúde dos países do Báltico para os sensibilizar para a corrida do Porto.

“Vamos até à final para ganhar, mas temos consciência de que tudo o que temos para oferecer em termos de influência são acordos de cooperação. Não sei o que negociações Itália ou Alemanha estão a negociar a favor de Milão ou Bona junto da concorrência, mas certamente mais do que um país pequeno”, adianta o membro da Comissão da Candidatura Nacional à EMA, convicto que a escolha final será, “sobretudo política” .

Apesar de Barcelona ter sido uma das cidades-sede preferidas pelos funcionários da EMA há oito meses, o agudizar do conflito catalão e da crise política com Madrid desde o referendo pro-independência enfraqueceram a candidatura local, razão pela qual o Governo espanhol tenta agora dar um impulso final à candidatura da capital da Catalunha, apresentada como um factor de estabilidade política do país.

Se na primeira volta uma das 19 candidaturas recolher o apoio máximo de pelo menos 14 votantes, será de imediato a vencedora, cenário que a não se verificar obriga a uma segunda ronda entre as três cidades mais votas (ou mais se houver igualdade pontual), com cada Estado-membro a dispor de apenas um voto/um ponto. Se persistir o empate, e com o mesmo sistema de voto, vão à finalíssima as duas candidaturas mais votadas, estando prevista um desempate por sorteio caso se repita uma igualdade pontual.