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“É mais uma vitória. Para os sonhos não há impossíveis”, diz a mãe do bebé que nascerá da avó

Mais 98 casais manifestaram, formalmente, intenções de recorrer a gestação de substituição

jose caria

O primeiro pedido de barriga de aluguer recebeu esta terça-feira parecer positivo da Ordem dos Médicos. Apesar de não ser vinculativo, foi mais uma etapa concluida no processo iniciado por Isabel, uma mulher sem útero cuja gestante vai ser a mãe (avó do bebé)

Isabel ainda não sabia. Ainda não tinha lido as notícias, quando recebeu o telefonema do Expresso. A Ordem dos Médicos dera parecer positivo ao seu pedido de gestação de substituição, o primeiro apresentado e aprovado pelo Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida. "Não estávamos à espera que fosse já, antes de terminarem os 60 dias que a Ordem tinha para se pronunciar". Hoje era o dia 47. "Estamos muito felizes. É mais uma vitória, mais uma barreira que cai. Constrói todas as coisas importantes da tua vida com base no verdadeiro amor e verás que para os sonhos não há impossíveis", desabafa a futura mãe, com uma frase feita mas que para ela se enche de sentido .

O parecer da OM não é vinculativo - não pode anular, por si só, um pedido - mas é mais um passo na continuação do processo seguido por Isabel e pelo marido para conseguirem ter um filho através de gestação de substituição, A gestante será a mãe de Isabel. No dia do parto tornar-se-à avó.

Isabel não estava muito confiante num parecer positivo."É uma vitória a Ordem ter dado parecer positivo. Não estavamos à espera. Pensámos que pudesse dar parecer negativo ou que não respondesse. Sabemos que o caso está a gerar polémica, mas este parecer significa que as pessoas foram sensíveis à nossa situação. E perceberam que a nossa vontade e desejo não era um capicho. É, simplesmente, um ato de amor", diz Isabel.

Tanto o casal como a avó estão tranquilos. Ficarão mais ansiosos depois de se iniciarem de fertilidade, quando ficarem à espera de saber se a gravidez vingou ou não. Antes disso, terão de negociar o contrato de gestação de substituição os três, com a supervisão do Conselho Nacional de PMA. Só depois se iniciam os tratamentos de fertilidade. "A parte mais ansiosa é essa, quando estivermos à espera que o teste de gravidez dê positivo", sublinha Isabel.

A aprovação dos pedidos de gestação de substituição é feita pelo Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida. Segue depois um pedido de parecer, não vinculativo, para a Ordem dos Médicos que tem 60 dias para se pronunciar. Caso não se pronuncie, o processo segue. É, então, feita a negociação do contrato entre o casal e a gestante e só depois se iniciam os tratamentos de fertilidade.

Em Portugal, só é permitida gestação de substituição em caso de doença. Ou seja, apenas mulheres que nasceram sem útero ou que têm alguma doença ou lesão que impeça a gravidez de chegar até ao fim é que podem fazer.