Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Aprovado comprimido digital que conta ao médico se o paciente está a tomar a medicação à hora e na dose certas

O Abilify MyCite é o primeiro comprimido digital aprovado pela agência do medicamento norte-americana. Através de uma aplicação digital, os médicos e alguns familiares do paciente podem saber uma série de informações e controlar a medicação

E se os médicos, estando no hospital, conseguissem controlar a medicação que os pacientes estão a tomar? Não se trata de uma antevisão futurista e já é possível de aplicar na atualidade. O Abilify MyCite é o primeiro comprimido digital aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), a agência federal norte-americana do medicamento. Simplificando: o paciente ingere o comprimido e, através de uma aplicação para smarthphone, o médico recebe toda a informação.

Os Abilify MyCite são comprimidos de aripiprazol com um microsensor do tamanho de um grão de areia, feito de silicone, cobre e magnésio. São um antipsicótico, habitualmente prescritos para casos de esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão. Mas como funcionam? O paciente ingere o comprido e este, algum tempo depois e deviso à ação do suco gástrico, ativa um sinal elétrico que é enviado para um adesivo previamente colado na zona das costelas. Informação como a hora a que o comprimido foi tomado e a dosagem é depois enviada via bluetooth para uma aplicação no smartphone.

O adesivo, que deve ser substituído todas as semanas, regista ainda os níveis de atividade, as horas dormidas, os passos dados e o batimento cardíaco. Além do médico, o paciente pode ainda selecionar mais quatro pessoas para acederem à informação, que pode ser alterada ou proibida a qualquer momento.

À semelhança dos comprimidos tradicionais, o Abilify MyCite também pode causar efeitos secundários, nomeadamente “náuseas, vómitos, prisão de ventre, dores de cabeça, tonturas, falta de controlo nos movimentos, ansiedade, insónia e inquietação. Irritação na pele no local onde é colado o penso também pode acontecer em algumas pessoas”, lê-se no comunicado divulgado pela FDA.

O medicamento estará disponível no mercado no próximo ano, mas ainda não se sabe quanto irá custar.

O principal objetivo com este controlo é assegurar que os doentes seguem o tratamento prescrito. Segundo refere o jornal “The New York Times”, o não cumprimento da toma de medicamentos prescritos pelos médicos nos Estados Unidos tem um custo de cerca de 100 mil milhões de dólares (85,7 mil milhões de euros) anuais, em boa parte porque o paciente volta a adoecer e precisa de novos tratamentos e internamento.