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Ministro da Saúde diz que vítimas de legionela são “credoras de um pedido de desculpas”

MANUEL DE ALMEIDA / Lusa

Momentos depois de receber a notícia da morte de um quinto doente infetado com a bactéria, o ministro da Saúde reconheceu esta segunda-feira de manhã no Parlamento que devia um pedido de desculpa aos utentes “enquanto responsável político do Governo”

Adalberto Campos Fernandes reconheceu esta manhã que diversas entidades, incluindo o próprio ministro da Saúde, deve um pedido de desculpas às vítimas da legionela.

“Os utentes são credores de um pedido de desculpa. De um pedido de desculpa do hospital [São Francisco Xavier], das empresas que tinham por responsabilidade fazer a vigilância da segurança, quer das condições ambientais quer das condições de segurança clínica, naturalmente da ARS de Lisboa e vale do Tejo mas também, porque eu tutelo todos estes organismos, de mim próprio enquanto responsável político do Governo”, disse Adalberto Campos Fernandes no Parlamento.

Durante o debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2018, o responsável pela pasta da Saúde defendeu ainda que as vítimas da legionela devem ser objeto de uma indemnização no âmbito da responsabilidade civil por quem tenha falhado. "Tem de haver reparação no âmbito da responsabilidade civil por quem possa não ter feito aquilo que devia ter sido feito", disse.

O surto de legionela, que infetou 48 pessoas, começou no dia 3 de novembro e Adalberto Campos Fernandes garantiu que o seu ministério tudo fará para que a origem seja identificada.

"Isto não serve de desculpas para que os hospitais e as empresas não estejam reguladas por uma legislação mais exigente", disse, anunciando que na próxima quarta-feira a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) vão publicar orientações atualizadas e "mais exigentes" para estas situações.

O ministro recordou ainda que tanto a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e o Ministério Público estão a acompanhar o caso.

Último balanço

No último balanço publicado esta segunda-feira às 12h30, a Direção-Geral da Saúde (DGS) informa que seis doentes com estão internados em Unidades de Cuidados Intensivos e 28 (58% do total de infetados) em enfermarias, enquanto 34 (71%) já tiveram alta clínica.

Ainda de acordo com a DGS, a maioria dos infetados (28) são mulheres e 34 têm idade igual ou superior a 70 anos, sendo que todos têm "história de doença crónica e/ou fatores de risco".

A legionela é uma bactéria responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo também surgir dor abdominal e diarreia. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infeção, podendo ir até 10 dias.

A infeção pode ser contraída por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada. Apesar de grave, a infeção tem tratamento efetivo.