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A detenção de madame Vera, ou o fim de “um dos mais antigos prostíbulos de Lisboa”

Andreas Rentz / Getty

Operação do SEF fechou casa de prostituição no centro da capital gerida por três mulheres. No apartamento foram encontradas 13 raparigas, mas “catálogo” tinha mais de 20

Michelle e assistentes - Acompanhantes de Portugal, ou acompanhantes de luxo, ou assistentes de elite, ou escorts. Nos anúncios a designação variava, mas publicitava sempre o mesmo negócio: num apartamento de terceiro andar, mesmo no centro de Lisboa, entre a avenida Defensores de Chaves e a Miguel Bombarda, Madame Vera e outras duas mulheres geriam um próspero negócio de prostituição. Foram as três apanhadas em flagrante, na passada terça-feira de manhã, pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF), numa operação com mais de 30 agentes espalhados pela capital e pelo Montijo, onde cumpriram seis mandados judiciais, três mandados de detenção e três buscas a domicílios.

Diz o SEF que foi o culminar de um ano de investigações, e o fim de “um dos mais antigos prostíbulos a funcionar no coração de Lisboa”. Na hora, matinal, a que a operação “Moeda” entrou no apartamento residencial encontravam-se lá 13 mulheres, sete de nacionalidade estrangeira e seis portuguesas, e cinco clientes. Uma cidadã estrangeira foi notificada para abandono voluntário, por se encontrar em situação irregular em território nacional, e as três gerentes detidas por suspeitas da prática de crimes de lenocínio (quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição) e auxílio à imigração ilegal, entre outros. Só o lenocínio prevê pena de prisão de seis meses a cinco anos.

Nas buscas não faltaram indícios para sustentar a imputação de vários crimes. “Foi apreendida abundante prova documental e testemunhal do crime de lenocínio, bem como €2410 em numerário”, esclarece o SEF. Da primeira apresentação ao juiz de Instrução Criminal de Lisboa saíram em liberdade, com termo de identidade e residência e proibição de contactos com todas as testemunhas identificadas. “O prostíbulo foi encerrado”, garantiu o SEF.

Na Internet é como se ainda estivesse a funcionar. O site oficial foi fechado mas a casa continua a integrar dezenas de sites internacionais de turismo sexual e todas as páginas de anúncios classificados para adultos. Por aqui é possível perceber a dimensão do negócio com mais de 20 “modelos com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos” que eram prostituídas no apartamento de Lisboa, compartimentado em vários quartos espelhados, mas que também acompanhavam os clientes ou iam ao seu encontro. Lá estava a Carolina, a Beatriz, a Andreia, a Joana, a Tita, a Bruna, a Jéssica, a Bárbara, a Cláudia, a Marina, a Sandra, a Kris, a Margarida, a Ariana, a Catarina, a Mel, a Raquel, a Érica, a Valentiny, a Carolina, a Aline, a Letícia…

A investigação do SEF prossegue, sob coordenação do Ministério Público – DIAP de Lisboa.