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GNR não revistou Pedro Dias no momento da abordagem

Pedro Dias está a ser julgado no Tribunal da Guarda, onde responde pela autoria de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada e três crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada

A GNR não revistou Pedro Dias no momento em que o suspeito da morte de três pessoas foi abordado. Apesar de parado num local ermo, alvo de patrulhas constantes e onde havia relatos de pequenos furtos, o suspeito do triplo homicídio não pareceu ameaçador e não foi revistado. Mas a GNR insistiu, por duas vezes, em obter informações.

Pedro Dias, que está desde esta manhã a ser julgado no Tribunal da Guarda, onde responde pela autoria de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada e três crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada, manteve-se em silêncio e prescindiu de ser ouvido nesta fase do julgamento.

A primeira testemunha a ser questionada foi o militar da GNR que sobreviveu aos disparos alegadamente feitos por Pedro Dias. António Ferreira contou ao tribunal que, a 11 de outubro de 2016, a carrinha onde “Pedro Dias dormia, foi abordada cerca das 2h29”. Num primeiro contacto com o comando da GNR “não havia qualquer pendência com a carrinha ali estacionada”.

Acordado o condutor e vistoriada a caixa de carga, “onde estavam uns jerricans, não houve estranheza”. Uma afirmação contrariada pelo juiz presidente e pela defesa que questionou a testemunha, que é assistente no processo. “Se não havia alarme porque foi feito um segundo contacto para obter informações?”, perguntou a advogada Mónica Quintela que defende o arguido.

O militar da GNR, que exigiu depor com Pedro Dias retirado da sala, não soube responder. Mas esclareceu que “após o alerta sobre a perigosidade do suspeito” e quando Carlos Caetano, o outro militar da patrulha da GNR se dirigia a Pedro Dias, “houve um barulho” que perturbou a intenção de “revistar o suspeito”. E quando focou a atenção “já Carlos Caetano estava no chão, atingido a tiro”. Posteriormente, António Ferreira foi “algemado no interior do carro” e levado para uma zona erma onde Pedro Dias, “com uma pistola numa mão e um pé de cabra noutra, abriu a porta” e lhe disse para sair, tendo disparado em seguida sobre o segundo militar da GNR.

A audiência prossegue por volta das 15h, com a inquirição da mesma testemunha.

O julgamento decorre sob fortes medidas de segurança e com familiares das vítimas e alguns populares concentrados no exterior por a sala de audiências não ter capacidade para acolher o muito público que ocorreu ao tribunal.

  • Pedro Dias já está no Tribunal da Guarda

    Entre outros crimes, aquele que ficou conhecido como o homicida de Aguiar da Beira é acusado da prática de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada e três sob a forma tentada. Julgamento começa esta sexta-feira