Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Dirceu investigado por receber um milhão

Rodolfo Buhrer / Reuters

Quatro anos não chegaram para esclarecer todas as suspeitas. Há mais 15 casos em investigação pelo Ministério Público e alguns são crimes graves

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

José Dirceu, político brasileiro condenado a 31 anos de prisão por corrupção, é um dos novos alvos do Ministério Público (MP) na ‘Operação Marquês’. O ex-ministro e ex-braço-direito do Presidente Lula da Silva (também condenado por corrupção), é suspeito numa das 15 certidões que o procurador Rosário Teixeira mandou extrair para nova investigação com data de conclusão imprevisível.

Dirceu, que foi preso político durante a ditadura e já está a cumprir pena numa cadeia brasileira depois de ter sido condenado em tribunal, é suspeito de ter recebido 944 mil euros, entre 2007 e 2014, de uma sociedade de advogados portuguesa que trabalhava para o Grupo PT e para uma empresa do universo Espírito Santo. Este dinheiro não foi tributado no Brasil nem em Portugal e o MP suspeita de evasão fiscal. Um advogado desta sociedade, João Abrantes Serra, chegou a ser arguido no processo mas as suspeitas foram arquivadas.

Ricardo Salgado e Henrique Granadeiro ainda não se livraram das investigações do Ministério Público. Os arguidos constam 
em duas das 15 certidões extraídas da ‘Operação Marquês’ e podem vir a ser acusados de novos crimes e julgados em mais processos

Ricardo Salgado e Henrique Granadeiro ainda não se livraram das investigações do Ministério Público. Os arguidos constam 
em duas das 15 certidões extraídas da ‘Operação Marquês’ e podem vir a ser acusados de novos crimes e julgados em mais processos

Marcos Borga

Além de Dirceu, o MP vai continuar a investigar outros nomes sonantes, como Ricardo Salgado e Henrique Granadeiro, já acusados de crimes graves no processo principal da ‘Operação Marquês’. O procurador Rosário Teixeira suspeita que o banqueiro tenha pago ao gestor 25 milhões de euros justificados com um contrato falso. Os dois acusados também estão noutra certidão, juntamente com Fernando Soares Carneiro, administrador da PT e Rafael Mora, da Ongoing, suspeitos de corrupção por terem protagonizado um negócio que provocou perdas de 75 milhões de euros à PT.

Lalanda e Castro, alegado patrão de Sócrates na Octapharma, não foi acusado no processo principal mas nem por isso se livrou de novas suspeitas: está indiciado pelos crimes de corrupção ativa no comércio internacional relacionados com a vinda de doentes líbios para Portugal; de evasão fiscal e branqueamento.

Noutra certidão, já revelada pelo “Observador”, Sérgio Monteiro, secretário de Estado no Governo de Passos Coelho, está indiciado pelo crime de corrupção por alegadamente não ter defendido os interesses do Estado depois do fim do projeto TGV idealizado durante o Governo Sócrates. O Estado teve de pagar 149 milhões de euros de indemnização ao consórcio por decisão de um tribunal arbitral.

A lista de nomes sonantes inclui ainda Miguel Pais do Amaral, empresário, Ribeiro dos Santos, deputado do PSD e Rui Pedro Soares, presidente da SAD do Belenenses. E alguns protagonistas de histórias, no mínimo bizarras, como Domingos Farinho que terá sido pago por Sócrates, através de uma empresa de Rui Mão de Ferro, também acusado, para ajudar com a tese de doutoramento. Problema: Farinho é professor da Faculdade de Direito de Lisboa e não podia receber de mais nenhuma entidade e pediu à mulher, Jane Kirby, que recebesse 53 mil euros em seu nome, o que poderá constituir um crime de falsificação.

Por fim, António Manuel Peixoto, autor do extinto blogue ‘Câmara Corporativa’, que defendeu Sócrates e atacou os seus adversários políticos durante anos, a troco de 79 mil euros. Como era funcionário da Câmara de Oeiras pediu ao filho que recebesse o dinheiro. E agora serão investigados por isso.