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Um portal que conta a história do sucesso de Portugal no PISA (e o muito que ainda falta fazer)

A Fundação Francisco Manuel dos Santos, em parceria com o Conselho Nacional de Educação e o Expresso, lançou esta quarta-feira um projeto digital e interativo que permite ter uma visão abrangente sobre o sistema educativo português e em comparação com outros países

Quando no final dos anos 90 o governo português teve de decidir se queria que os alunos portugueses participassem nos testes do PISA (Programme for International Student Assessment), conduzidos pela OCDE e cuja primeira edição remonta ao ano de 2000, o então ministro da Educação, Marçal Grilo, estava ciente dos riscos. E se os resultados fossem muito maus, em comparação com os outros países da organização?

Portugal decidiu participar e o que se temia aconteceu: no conjunto dos então 28 países participantes da OCDE, na literacia matemática e científica os alunos portugueses de 15 anos só se saíram melhor do que os colegas luxemburgueses e mexicanos. No caso da literacia matemática, houve mais um país a ficar atrás: a Grécia. A boa notícia é que, de então para cá, os resultados nestas provas, realizadas de três em três anos, subiram sempre. E Portugal passou de ‘mau aluno’ a uma das “maiores histórias de sucesso da Europa”, nas palavras do diretor do Departamento de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher.

Os depoimentos de Marçal Grilo e de Andreas Schleicher são apenas dois dos testemunhos que se podem encontrar no portal “A Educação em Exame”, lançado esta quarta-feira pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), em parceria com o Conselho Nacional de Educação (CNE) e o Expresso. Mas o projeto, que ajuda a compreender os fatores que levaram a uma melhoria significativa dos desempenhos dos alunos portugueses – na última edição do PISA, em 2015, ficaram pela primeira vez acima da média da OCDE nas três literacias testadas -, não se limita a apresentar os resultados, ao longo dos anos.

Se há aspeto de que o mais conhecido teste internacional na área da Educação não pode ser acusado é de ser pobre nos dados que recolhe. O PISA, que em 2015 foi aplicado em 72 países e regiões, avalia os desempenhos de uma amostra de meio milhão de alunos de 15 anos; e junta-lhe uma parafernália de análises, indicadores e perceções resultantes de questionários respondidos por diretores de escolas, professores, pais e estudantes. A soma disto foi apresentada, no final de 2016, em três relatórios com cerca de 500 páginas cada, numa informação que não é fácil de desbravar.

O estudo Aqeduto, que resulta de uma parceria entre o CNE e a FFMS, analisou muitas destas bases de dados, acrescentou outras fontes e construiu as análises que estão agora compiladas, de forma digital, no portal “A Educação em Exame”. O retrato incide sobre os alunos e as famílias, os professores e as escolas e os recursos investidos.

Além dos dados e da identificação dos pontos fortes e fracos, o portal também permite uma interação entre o utilizador e as bases: há a possibilidade de um pai poder calcular a estimativa de o seu filho passar de ano ou tentar responder a algumas das perguntas que já saíram nos testes PISA. Saberá mas do que um aluno de 15 anos?