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Incêndios deste ano já mataram mais de 100 pessoas

TIAGO PETINGA/LUSA

É o ano mais mortal de sempre em resultado dos fogos e a grande maioria das vítimas morreu em dois dias: nos incêndios em Pedrógão Grande e nos fogos deste domingo em várias zonas do país

Os 65 mortos nos trágicos incêndios de Pedrógão Grande, em junho, já tinham transformado 2017 num ano sem precedentes quanto ao número de vítimas. Entre meados de junho e outubro, morreram pelo menos mais três pessoas noutros fogos e a esse número juntam-se agora as 37 vítimas deste domingo, já confirmados pela Proteção Civil. Num momento em que o balanço ainda não está fechado, uma certeza existe: num só ano, os incêndios já causaram mais de 100 mortos.

É o maior número alguma vez registado em resultado dos incêndios. Nem mesmo nos anos de 2003 e 2005, nos quais a área ardida superou os 216 mil hectares devastados até 30 de setembro (sem contar com o que ardeu este domingo), o número de mortos foi superior.

Sabe-se que ao número de mortos nos incêndios de Pedrógão Grande juntam-se agora as 37 vítimas deste domingo, em vários concelhos dos distritos de Coimbra, Guarda, Viseu e Castelo Branco. Há ainda registo de 70 feridos. Dos sete desaparecidos, seis já foram encontrados.

Pelo meio, durante o verão, entre junho e outubro, morreu ainda um piloto de avião que combatia um incêndio em Castro Daire, um homem que fugia do fogo no Sabugal e o condutor de uma máquina de rasto que operava no combate a um incêndio em Oleiros, já no início deste mês.

Os resultados dos incêndios de Pedrógão Grande tinham já sido considerados como "óbvia e inegavelmente catastróficos", como é referido no relatório da Comissão Técnica Independente publicado na semana passada. E hoje já se sabe, de acordo com as conclusões dos relatórios das autópsias, que 23 pessoas morreram carbonizadas, 21 por queimaduras de vários graus, 13 por inalação de gases quentes, oito por asfixia, uma por lesão traumática por queimaduras e uma, ainda sob investigação para determinação das causas da morte. A maioria (63%) das vítimas tinha entre 18 e 70 anos, 14% tinha menos de 18 anos e 23% acima de 70 anos.

texto atualizado dia 17 de outubro, às 12h13