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O raio sempre existiu

BERNARDO MONTOYA / AFP / Getty Images

A metereologia foi a grande culpada pelo fogo. Nas causas apontadas pela Comissão Independente, a natureza e as condições climatéricas parecem as principais causas do incêndio deflagrado em PedrógãoGrande. Porém, depois vieram contínuas falhas humanas

"Descargas elétricas mediadas pela rede de distribuição de energia e por raio", elevada instabilidade atmosférica, associada à onda de calor em ano de seca, níveis elevados de acumulação combustível florestal com o mais baixo nível de humidade visto em mais de uma década, estão na base do caldo com origem em causas naturais que potenciaram o incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande a 17 de junho.

Também o fenómeno meteorológico denominado "downburst" (forte corrente de ar descendente) é apontado como o "causador do súbito e violento crescimento do fogo, que provovou muitas das fatalidades". A maioria das mortes aconteceu entre as 20h e as 21h.

Mas se as causas naturais estão na base do rastilho do fogo, as humanas potenciaram a tragédia que se abateu sobre as vítimas e os sete concelhos afetados.

O relatório da Comissão independente, reveladoesta quinta-feira, apresenta uma análise cronológica dos acontecimentos e a certeza de que até às 16h o fogo poderia ter sido combatido com meios terrestres e que até às 18h deveriam ter entrado em cena os meios aéreos. A partir das 18h, o incêndio tornou-se "incontrolável, independentemente dos meios disponíveis", afirmam os especialistas.

"È licito concluir que houve subavaliação e excesso de zelo na análise inicial do incêndio de Pedrógão Grande, que contribuiram para que o ataque inicial não conseguisse debelar o avanço do fogo", lê-se no relatório.

Falhas na articulação dos comandos da Proteção Civil, inexistência de postos de vigia ativos e de vigilância móvel são falhas apontadas tendo em conta que para aquele fim de semana se previam condições meteorológicas que agravavam o risco de incêndio.

Também as falhas nas medidas de prevençãp estrutural da floresta são sublinhadas pelo relatório. Apenas três dos 11 municípios afetados pelo incêndio que começou em Pedrógão tinham feito a limpeza da rede primária de acordo com os planos de prevenção de incêndios e apenas 19% das faixas de gestão de combustível previstas em mais 31 mil hecatares de floresta foram executadas.