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João Guerreiro aponta o dedo a falha humana e critica tardia evacuação de aldeias

Rui Duarte Silva

Presidente da Comissão Ténica Independente explicou os “ses” que poderiam ter ditado outro fim para a tragédia dos fogos: “Se houvesse um sistema de sensibilização e informação, se o comando tivesse dado instruções de evacuação”, então “os dramas que aconteceram” poderiam ter sido moderados

O coordenador da comissão técnica independente formada para perceber o que se passou nos incêndios de junho, na zona centro de Portugal e incluindo Pedrógão Grande, entregou esta quinta-feira o resultado final do relatório da comissão. Segundo João Guerreiro, as consequências do incêndio poderiam ter sido “moderadas” caso tivessem sido tomadas “medidas da responsabilidade do comando”, nomeadamente tendo a ver com a “retirada das pessoas” que se encontravam no local.

Falando aos jornalistas momentos depois de entregar o documento ao presidente da Assembleia da República, João Guerreiro explicou os “ses” que poderiam ter ditado outro fim para a tragédia dos fogos: “Se houvesse um sistema de sensibilização e informação, se o comando tivesse dado instruções de evacuação”, então “os dramas que aconteceram” poderiam ter sido moderados.

Negando que tenha havido vítimas a morrer por terem sido dirigidas pela GNR para a EN236, a chamada “estrada da morte”, o presidente da comissão frisou também que se deram naquele dia, a 17 de junho, condições “excecionais” e que, “a partir de certa altura, era impossível tomar conta do incêndio”.

Admitindo que até certo ponto poderia ter havido uma “antecipação de medidas”, Guerreiro frisou, no entanto, que as mexidas na Proteção Civil que se registaram pouco antes dos incêndios são “recorrentes na Administração Pública”, propondo que os dirigentes sejam escolhidos por concurso público numa “reestruturação das carreiras”.

Num documento breve que condensa as principais conclusões dos trabalhos, entregue à comunicação social, refere-se que as circunstâncias atmosférias que se verificaram naquele dia “justificariam plenamente um nível elevado de prontidão da resposta”: “Os postos de vigia da rede nacional de deteção de incêndios mais próximos não estavam ativos. A vigilância móvel e pré-posicionamento estratégico estavam limitados aos sapadores florestais. O ataque inicial fez-se de acordo com as regras de despacho estabelecidas, mas o tempo de resposta e os meios disponíveis foram insuficientes para as condições do dia”. “Não tendo o fogo sido extinto rapidamente após a eclosão”, prossegue o texto, “o seu controlo tornou-se progressivamente mais improvável, independentemente da quantidade de meios empregue”.

O resumo das principais conclusões do relatório indica que "não se mobilizaram totalmente os meios que estavam disponíveis, mas após as 16 horas, e especialmente após as 17 horas, a probabilidade de contenção do incêndio seria sempre reduzida". Ou seja, depois das falhas no ataque ao incêndio num primeiro momento, tornou-se impossível controlar uma situação em que as condições atmosféricas eram excepcionalmente adversas.

"A insuficiente prontidão dos meios de pré-supressão e combate face às condições meteorológicas e a consequente resposta desajustada face à ocorrência estão na génese da tragédia", lê-se.