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Sociedade

Comissão Independente critica amadorismo dos bombeiros e aponta falhas no comando da Proteção Civil

Como é possível que continuem a existir acontecimentos como os dramáticos incêndios da zona do Pinhal Interior que tiveram lugar no verão de 2017? A Comissão Técnica Independente acabou de entregar o relatório com a análise do que esteve na origem de 65 mortes. São 184 páginas, mais 13 anexos

Um desastre antecipado é a principal conclusão do relatório elaborado pela Comissão Independente, nomeada pelo Parlamento para avaliar as causas da tragédia de Pedrógão Grande, que acabou de ser entregue na Assembleia da República.

Desprezo pelo conhecimento tradicional das populações locais, desadequação entre a formação dos responsáveis e agentes da Proteção Civil e dos Bombeiros e as funções desempenhadas, sobretudo de socorro, evolução tortuosa da Proteção Civil que mudou seis vezes de figurino institucional nos últimos vinte anos. A gestão da floresta foi sendo marginalizada. Quem combate os fogos não são as mesmas entidades responsáveis pela prevenção e, sem isso, segundo o relatório, não será possível ter êxito.

O voluntariado e a boa vontade não chegam. "Em momentos de emergência aguda, na presença de incêndios florestais de significativa dimensão, a conjugação da atuação das diversas entidades, sem comando especializado, profissionalmente prestigiado e com autoridade reconhecida, torna difícil a condução dessas operações. Entidades privadas, associativas, profissionais, a que se deverão associar os diversos agentes de proteção civil (segurança, saúde, transportes, logística, Forças Armadas), transformam estas atuações em complexas operações, obrigatoriamente multifacetadas, que exigem grande capacidade de liderança e comando".