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Portugal sobe no ranking da competitividade mas está pior que no ano da saída da troika

O ano de 2014 ficou marcado pela saída da troika de Portugal

Tiago Miranda

Educação, mercados financeiros, infraestruturas e inovação são as áreas com pontuações mais baixas agora do que em 2014. Pelo contrário, o ambiente macroeconómico, o mercado de trabalho e a disponibilidade tecnológica melhoraram

Portugal subiu quatro lugares no ranking da competitividade este ano em relação a 2016, ocupando a 42ª posição em 137 países, segundo o Global Competitiveness Report 2017-2018 do Fórum Económico Mundial, apresentado esta quarta-feira. Só que essa posição está seis lugares abaixo do 38º lugar que Portugal ocupava em 2014, ano de saída da troika.

No ranking da competitividade, essa foi a melhor posição que Portugal ocupou nos últimos cinco anos. Já o 42º lugar deste ano fica também quatro lugares abaixo da posição de 2015. Segundo dados que constam nos relatórios Globais de Competitividade de 2014/15 e 2017/18, verifica-se que Portugal esteve melhor nuns critérios e pior noutros, que num balanço final determinou uma melhor posição no ranking em 2014 em detrimento da posição ocupada este ano.

Os dados apontam para uma descida de 0,3 pontos na avaliação dada à Educação e Formação, como na avaliação da eficiência dos mercados financeiros. Com quebras não tão expressivas está a área das infraestruturas e da inovação, que desceram 0,1 pontos em relação a 2014.

rui duarte silva

A competitividade da educação superior e formação em Portugal está, então, pior que em 2014, devido, sobretudo, à taxa de escolarização bruta (indicador no qual tem a descida mais acentuada, de 7 pontos). A qualidade da gestão das escolas também tem pior avaliação (menos 0,9 valores), acontecendo o mesmo com o acesso à internet nas escolas (menos 0,6 pontos). A disponibilidade local dos serviços de formação especializada contribuiu igualmente para este resultado, com uma descida de 0,4.

Já a eficiência dos mercados financeiros apresentou uma queda igual ou superior a 1 valor em alguns dos seus componentes, nomeadamente o índice de direitos legais, a solidez dos bancos e a regulação da bolsa de valor, a qual apresentou a descida mais acentuada - cerca 1.2 pontos.

Onde é que Portugal melhorou desde 2014?

Mas mesmo estando em 2017 numa posição abaixo do lugar que ocupava em 2014, e com uma pontuação final inferior, Portugal apresentou um desempenho melhor em algumas áreas. A diferença mais expressiva é no ambiente macroeconómico, onde Portugal subiu cerca de 0,5 valores face a 2014.

A eficiência do mercado de trabalho melhorou, sobretudo devido a uma avaliação mais positiva dada às remunerações e à produtividade.

lucília monteiro

Ao mesmo tempo, registou-se um grande salto na tecnologia disponível, devido a um aumento de 24.4 pontos na avaliação dada às subscrições de banda larga móvel e de 8 pontos em subscrições de internet em banda larga fixa. O número de utilizadores de internet por percentagem da população também apresentou uma ascensão de 8 valores face a 2014.

O ambiente macroeconómico português apresenta-se, então, melhor este ano devido a uma melhor avaliação dada ao saldo orçamental do sector público e ao rácio da dívida pública em percentagem do PIB. O ambiente macroeconómico é, aliás, o indicador que tem maior influência na subida de posições de Portugal este ano em relação ao ano passado.

Na edição do ranking publicada esta quarta-feira, entre os 137 países estudados a Suíça é o mais competitivo, seguido dos Estados Unidos. A Espanha está em 24.º lugar e a Itália (43ª) ficou pior classificada do que Portugal.