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Sociedade

Em Coimbra mudaram-se as regras para acabar com “concursos enviesados” e “ajustados a alguém”

O reitor da Universidade de Coimbra, a instituição onde persistem os maiores índices de imobilidade académica, reconhece que a situação não é “positiva”, mas confia que as regras aprovadas em 2016 farão com que o “mérito e nada mais” seja o critério para a contratação

A Universidade de Coimbra (UC) é a instituição com indicadores mais elevados de "imobilidade académica", tendo 80% dos seus quase mil professores de carreira realizado o seu doutoramento na própria instituição. A nível nacional a percentagem ronda os 70%, mas há faculdades, como é o caso de Direito na UC, em que a coincidência entre contratados e professores doutorados na casa é total. Ou seja, nos concursos para professor catedrático, associado e auxiliar venceram sempre os docentes que estavam na instituição, revelam os dados publicados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.

O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, lembra que este é um cenário comum em várias universidades portuguesas, sobretudo as mais antigas, como Coimbra, Lisboa e Porto, mas reconhece que não é uma situação "positiva" e que seria "desejável uma maior diversidade". E foi nesse sentido, diz, que a sua universidade aprovou em 2016 novos procedimentos: "Pela primeira vez passou a haver um regulamento global para a contratação e modelos de editais - estabelecendo critérios, procedimentos, provas - que se aplicam de forma transversal a todas as faculdades e com apenas algumas nuances entre áreas científicas".

O objetivo é evitar o "enviesamento" de alguns concursos e que estes não possam ser "ajustados a alguém". "É fácil de imaginar que houve alguma resistência. Mas as alterações para garantir que o único critério de seleção seja o mérito e nada mais foram feitas e acredito que farão mudar o cenário atual da Universidade dentro de alguns anos", confia João Gabriel Silva.

Neste momento estão em curso cerca de 100 concursos de recrutamento na Universidade de Coimbra - "há muitos anos a esta parte que não se contratavam tantos professores", lembra o reitor - que já se farão de acordo com os novos procedimentos e critérios.