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Esta interrogação vai deixar de sê-lo daqui a poucas horas

Falta pouco para o lançamento do novo iPhone: é esta terça, pelas 18h. Uma apresentação que tem sido aguardada com muita expectativa pelos fãs, não fosse este o iPhone que celebra o décimo aniversário do aparelho e o primeiro a ser apresentado na nova sede da Apple, mais propriamente no auditório Steve Jobs

As expectativas estão muito altas. Ao contrário do iPhone 7, que não revelou uma grande evolução relativamente ao anterior, os fãs estão à espera que a nova versão represente uma das maiores evoluções de sempre. A apresentação está marcada para amanhã na nova sede da Apple, na Califórnia, pelas 10h (18h em Lisboa).

A localização será, aliás, o primeiro fator de interesse porque esta apresentação será o primeiro evento público que vai levar centenas de jornalistas ao Apple Park: o edifício principal tem a forma de um disco voador gigante e está integrado numa área de 70 hectares. Estima-se que o Apple Park terá um custo total próximo dos 4 mil milhões de euros quando ficar terminado lá mais para o final do ano. Um valor aparentemente absurdo, mas que representa pouco mais de 2% das reservas financeiras da Apple, que já estarão acima dos 180 mil milhões de euros.

O fator sentimental também não vai ficar de fora porque o evento vai servir para inaugurar o Steve Jobs Theatre, um auditório com capacidade para 1000 pessoas localizado num dos pontos mais altos do Apple Park. Aliás, muitos acreditam que Tim Cook vai aproveitar o momento para prestar tributo a Steve Jobs e que o novo iPhone de topo seja dedicado ao fundador da Apple.

Tim Cook, o sucessor de Jobs

Tim Cook, o sucessor de Jobs

Foto Josh Edelson/Getty Images

iPhone X, dizem os rumores

Como é habitual, os rumores sobre o próximo, ou próximos, iPhone, começaram logo após o lançamento dos iPhone 7. Alguns até antes porque muitos especialistas em assuntos Apple davam como garantido que Tim Cook, o líder da empresa, estaria a guardar todos os trunfos para o modelo comemorativo do 10º aniversário do aparelho. E há várias pistas que parecem comprovar isso mesmo, a começar pela evolução pouco significativa das versões “7” relativamente às versões “6s”. A política da Apple tem sido melhorar o desempenho nas versões “S” e alterar significativamente o design nas versões com direito a um número novo. Por isso, as versões “7” deveriam, segundo esta política, ser bem diferentes das anteriores, o que não aconteceu.

Até recentemente, o próximo iPhone tem sido, naturalmente, identificado nos rumores com a denominação “8”. Mas informações encontradas no iOS 11, o próximo sistema operativo da Apple para o iPhone e iPad, permitem antecipar várias funcionalidades e uma nova denominação: “iPhone X”.

O “X” até parece fazer sentido porque pode ser lido como “dez”, uma referência ao aniversário. Também pode ser a forma de a Apple indicar que este modelo vai representar uma evolução maior que o habitual. Há também quem diga que o “X” vai ser o primeiro de uma nova linha do iPhone, posicionada acima dos modelos comuns, que vão continuar a ser distinguidos pelos números. Finalmente, “X” pode, simplesmente, estar a ser usado para esconder a verdadeira denominação do modelo.

Sem botão Home?

É o iPhone X que deverá apresentar as inovações mais interessantes e mais propagadas pelos rumores. A começar por um ecrã que ocupa praticamente toda a frente do aparelho (“edge to edge”). Diferentes fontes junto dos fornecedores da Apple dão como garantido que este ecrã é do tipo OLED, o que permite cores mais vivas e maiores níveis de luminosidade e contraste. Uma tecnologia que alguns dos maiores concorrentes da Apple, com destaque para Samsung e LG, já usam há alguns anos nos smartphones das gamas mais altas.

Com um ecrã tão grande deixa de haver espaço para o botão Home. Este é um dos rumores mais interessantes e, também, a característica mais disruptiva. É que o botão Home faz parte do iPhone desde a primeira versão e tem evoluído em termos de funcionalidades. Uma das mais importantes é a autenticação através da leitura de impressões digitais (Touch ID). Ora, se o botão Home desaparecer, como é que estas funcionalidades vão ser garantidas? Neste campo, o rumor mais persistente aponta para um botão Home virtual, situado por baixo do ecrã. Ou seja, o botão Home deixa de existir fisicamente, mas pode ser acedido com o toque sobre uma zona específica do ecrã. Mas há fontes que indicam que a tecnologia para reconhecer impressões digitais deste modo ainda não está pronta ou, pelo menos, não garante a fiabilidade exigida pela Apple. A alternativa parece ser um novo sistema de autenticação biométrica baseado em reconhecimento facial, que deverá ter um nível de sofisticação e segurança nunca antes visto em dispositivos móveis. Um sistema que recorre a sensores para fazer reconhecimento a três dimensões, evitando assim que possa ser ludibriado com a apresentação de fotos dos utilizadores – um problema que tem sido associado a outros dispositivos que recorrem a reconhecimento facial.

A confirmar-se, este sistema substituirá o Touch ID não são na funcionalidade de desbloqueio do telemóvel, mas também para fazer pagamentos via Apple Pay. Diz-se que o reconhecimento facial será tão sofisticado que será capaz de reconhecer o utilizador em menos de um segundo, mesmo sem luz ambiente e a partir de uma grande variedade de ângulos.

Design premium

Toda a gente sabe a importância que a Apple dá ao design. O iPhone X deverá abandonar o corpo de alumínio, que tem sido a opção da marca para o iPhone desde 2012, e adotar um corpo em vidro – neste aspeto, é um regresso ao passado, já que o iPhone 4 usava este material. Uma opção para ajudar a distinguir ainda mais o X, que deverá ter um ecrã de 5,8 polegadas, dos outros dois modelos esperados, o iPhone 8 (ecrã de 4,7 polegadas) e o iPhone 8 Plus (5,5 polegadas). Ao contrário do X, que deverá usar um ecrã OLED, os 8 e 8 Plus deverão continuar a utilizar um ecrã LCD. É importante referir que apesar de se esperar que o X tenha o maior ecrã, as informações indicam que este modelo premium será mais pequeno que o iPhone 8 Plus em consequência de o ecrã ocupar praticamente toda a frente do aparelho.

No X espera-se que a parte inferior do ecrã também seja usada para apresentar funções contextuais, um conceito semelhante à Touch Bar do MacBook Pro. O que poderá ser usado para navegar mais facilmente pelos diferentes menus e para apresentar atalhos para as funcionalidades mais utilizadas. No limite, esta barra pode substituir por completo o botão Home. Mas há muitas dúvidas quando a esta escolha, já que poderia criar um modo de utilização diferente no X relativamente aos outros iPhone, o que não parece ser compatível com a uniformidade que a Apple pretende sempre oferecer nas suas interfaces.

Desempenho

Já se sabe: cada geração do iPhone traz melhorias importantes no desempenho. Regra que vai continuar a ser aplicada. Neste aspeto, a grande novidade deverá ser um novo processador, o A11, o primeiro da Apple a ser produzido a 10 nanómetros – deverá ser fabricado em Taiwan pela TSMC, um dos maiores fabricantes de processadores do mundo. Transístores mais pequenos permitem aumentar a velocidade e/ou reduzir o consumo energético. E o maior desempenho será importante para que os novos iPhone sejam os primeiro da Apple a integrar funcionalidades de Realidade Aumentada. Uma tecnologia que Tim Cook já disse ter o potencial para ser tão revolucionária quanto o primeiro iPhone. Espera-se que a câmara frontal inclua capacidade de medir a profundidade (3D) para que seja possível misturar elementos digitais com elementos reais captados pela câmara.

As funções de Realidade Aumentada podem até dar origem a um hub de aplicações e funcionalidade, do mesmo modo que foi feito para o iHealth. Talvez esta componente seja uma parte importante do iOS 11, a nova versão do sistema operativo que deverá ser lançada em simultâneo com os novos iPhone.

A nova câmara frontal deverá ser usada para uma nova funcionalidade que tem vindo a ser designada por “Animoji”: a imagem captada em 3D pela câmara é usada para criar emojis animados que mimetizam as expressões dos utilizadores. A confirmar-se, esta funcionalidade tem o potencial para mudar a forma como, por exemplos, os utilizadores trocam mensagens.
Independentemente do que Tim Cook e companhia vão apresentar amanhã, uma coisa é certa: a Apple vai, uma vez mais, fazer mexer o mercado da tecnologia. E os novos iPhone não deverão ser as únicas novidades…

FICHA TÉCNICA: iPhone: o que pode vir de novo

- Chegada ao mercado no final de setembro

- Três versões: 4,7, 5,5 e 5,8 polegadas: iPhone 8, iPhone 8 Plus e iPhone X

- Versão “X” com ecrã OLED com moldura muito fina

- Barra inferior do ecrã para funções contextuais e comandos diretos

- Touch ID (reconhecimento de impressões digitais) nos iPhone 8 e reconhecimento facial no iPhone X

- Processador A11 com mais desempenho e menor consumo energético

- Sistemas de duas câmaras com estabilização ótica (montadas na vertical)

- Câmara frontal com capacidades 3D para suportar aplicações de Realidade Aumentada

- Suporte para carregamento sem fios (pelo menos na versão X)

- Suporte para o standard USB Tipo C (através da porta Lightning, que se mantém)

- Certificação IP68 (mergulho até 1,5 metros durante 30 minutos)

- Novo sistema háptico: ecrã com vibrações mais complexas que permitem ao utilizador sentir melhor onde toca e como está a alterar as opções

- O Phone X deverá ter um preço próximo ou mesmo superior a 1000 euros