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Parem de alimentar o papão da matemática

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Para que os alunos melhorem a matemática, os pais e os professores não podem dizer que é difícil

Esta é a altura do ano em que as crianças ainda pensam nas férias, enquanto a cabeça dos pais e dos professores já está no ano letivo que se aproxima. E a maior das suas preocupações é o ensino da matemática. Por isso é que agora vários pedagogos vêm dizer que é exatamente por esse motivo que os alunos têm mais dificuldades nesta disciplina. Os pais alimentam o monstro.

Este tropeção curricular é comum a vários países e gerações e, por isso, este verão juntaram-se em Madrid 1600 professores de 16 países, no Congresso Ibero-americano de Educação Matemática, para tentarem perceber como lidar com este monstro feito de números e equações. Entre as várias causas que os especialistas identificaram, os livros com critérios empresariais em vez de pedagógicos, e algumas das estratégias usadas pelos professores para ensinar as várias linguagens matemáticas que estão totalmente desadequadas ao dia a dia dos alunos. Mas acima de tudo o pesadelo ganha força na atitude que os alunos têm perante a disciplina.

O preconceito existe e por se continuar a diabolizar a disciplina não terá fim à vista. A argentina Cecilia R. Crespo, do Instituto Nacional Superior del Profesorado Técnico da Universidad Tecnológica Nacional, disse que a atitude dos alunos só muda quando a dos responsáveis mudar.

Do congresso ecoa que é preciso dizer basta para que as crianças tenham gosto na aprendizagem da disciplina em vez de a verem como um pesadelo. Em casa, os pais dizem que é difícil, que é preciso estar atento. E o medo começa. Na escola os professores salientam as diferenças e os alunos consolidam a resistência. Começam a pensar que não vale a pena.

Olimpia Figueras, professora e investigadora do Centro de Investigación y de Estudios Avanzados do Instituto Politécnico Nacional da Cidade do México, salientou que o primeiro passo é dentro da sala de aula. E que se os alunos respeitarem o professor, começam a respeitar a disciplina. Usou como paralelismo a cultura asiática dos génios matemáticos, onde o docente é rei.

Pelo Japão usa-se nas escolas públicas o LessonStudy que ajuda os professores a levarem a matemática aos alunos. Os professores mais novos e os mais antigos assistem às aulas uns dos outros e avaliam-se. Discutem mudanças a aplicar dentro da sala de aula de forma a melhorar o processo de aprendizagem de uma disciplina que por aquelas terras é igual às outras.