Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Há sete anos que não entravam tantos alunos no ensino superior

António Pedro Ferreira

Quase 45 mil alunos já asseguraram lugar numa universidade ou politécnico público na 1ª fase do concurso nacional de acesso. É o valor mais alto desde 2010 e o quarto ano de subidas consecutivas nas colocações. Mais de 80 cursos exigiram um mínimo de 16 valores como nota de ingresso. Três engenharias voltam a liderar a lista de médias de entrada mais elevadas

O cenário já se previa dado o aumento de candidatos e acabou por se confirmar: 44.914 alunos asseguraram já a entrada no ensino superior na 1ª fase do concurso nacional de acesso. São quase mais dois mil colocados (mais 5%) do que em igual momento do ano passado e desde 2010 que não se registava um valor tão alto. Pela primeira vez, todas as instituições sem exceção garantiram nesta 1ª fase mais entradas do que em 2016, sublinha o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor.

"Os dados são muito positivos. Mostram que os portugueses querem estudar mais. Há muitos anos que não tínhamos tantos colocados na 1ª fase. No final deste concurso, e contando com os outros regimes de ingresso no ensino superior, devemos ter mais 73 mil novos alunos no ensino superior. No ano passado tivemos cerca de 65.500. Mesmo que as estimativas estejam um pouco sobrevalorizadas, o crescimento será certamente entre 5% e 10%. Estamos no caminho certo, mas é preciso ainda fazer mais" antecipa o ministro, em declarações ao Expresso.

Ensino politécnico em alta

Se o cenário é globalmente positivo, a nota de destaque vai para o ensino politécnico. Em termos gerais, o número de colocados nestes institutos subiu 8,3% face aos 2,3% do ensino universitário. Ainda que as universidades continuem a atrair o maior número de jovens, o interesse dos estudantes pelo ensino politécnico está a aumentar. Basta ver que o número de colocados em 1ª opção neste sistema cresceu 16% (contra 2% no universitário). E a instituição que registou a maior subida no número de colocados na 1ª fase, face a 2016, foi o Instituto de Bragança, "o mais longe possível de Lisboa", sublinha Manuel Heitor.

"O ensino politécnico melhorou muito, sobretudo com os estímulos dados para a investigação e pela diversificação de opções, muito relacionadas com os mercados de trabalho e as dinâmicas locais", diz Manuel Heitor, indicando Enfermagem e Tecnologias da Saúde, Hotelaria e Turismo, Tecnologias Digitais e Ciências Agrárias como exemplos de áreas que suscitaram mais interesse este ano.

É certo que o Instituto Politécnico de Bragança é também o que mais vagas sobrantes teve, mas tal acontece porque a maioria de entradas ocorre não através do concurso nacional de acesso, mas por outras vias, como o regime para "maiores de 23 anos", o concurso para estudantes internacionais, detentores de outros cursos, etc. Ou seja, no final de todo o processo, esta escola,como todas as outras, espera vir a preencher todas as vagas. Para já, no conjunto do sistema, há ainda mais de 6 mil lugares livres.

Os dados do Ministério também mostram um aumento (cerca de 10%) de alunos nas áreas das das Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (TICE) e da Física e uma subida de colocados (mais 13%) nas regiões de menor densidade demográfica. Estas foram duas das apostas do Governo na atração de mais jovens e que levaram a tutela a levantar alguns limites, que sempre impõe, ao aumento de vagas.

Em termos globais, as universidades contam com 27.648 novos estudantes e os politécnicos com 17.266.

18,8 valores: a nota mais baixa em Engenharia Aeroespacial

Os resultados desta 1ª fase do concurso também revelam um aumento no número de cursos a exigir médias de entrada bem elevadas. Há 82 licenciaturas e mestrados integrados em que foram precisas médias acima dos 16 valores para garantir o ingresso. No ano passado tinham sido 66.

As áreas em que tal acontece também se diversificaram, realça o ministro, mas há um dado que se repete: as mesmas três engenharias voltam a liderar a lista das médias de entrada mais elevadas.

O aluno a entrar em Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico com a nota mais baixa fê-lo com 18,8 valores. Neste ranking das classificações, seguem-se Engenharia Física e Tecnológica, também no Técnico (mínima de 18,75) e Engenharia e Gestão Industrial na Universidade do Porto (18,43). Em quarto lugar surge Medicina também na Universidade do Porto (18,33).

Dos nove cursos a exigir mais do que 18 valores, quatro são do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, quatro são de faculdades da Universidade do Porto (UP). O outro é Medicina na Universidade do Minho. Por instituição, a UP acaba por apresentar as classificações médias mais elevadas.

Muitos lugares ainda disponíveis

Apesar do número de lugares ainda disponíveis ser o mais baixo desde 2009, existem ainda mais de seis mil vagas por ocupar, a que se juntarão todas aquelas em que os alunos agora colocados acabem por não se inscrever.

Deste modo, é possível que surjam ainda oportunidades nas escolas que, para já, esgotaram ou quase sua oferta. É o caso das universidades do Porto, Nova ou ISCTE, das escolas superiores de enfermagem de Coimbra, Lisboa e Porto ou ainda daEscola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril .

Comparando o número de estudantes que puseram uma determinada instituição em 1ª opção, com os que conseguiram entrar, o destaque vai para a Universidade do Porto: quase 7500 tentaram a sua sorte para apenas 4185 lugares, o que dá uma procura de 178%, sublinha a instituição em comunicado.

Os resultados das colocações estão disponíveis no site da Direção-Geral do Ensino Superior. A partir de segunda-feira e até dia 22 decorre a apresentação de candidaturas à 2ª fase do concurso.

ANO

CANDIDATOS

COLOCADOS

2007 51.472 41.938
2008 53.062 44.336
2009 52.539 45.277
2010 51.842 45.592
2011 46.636 42.243
2012 45.078 40.415
2013 40.419 37.415
2014 42.408 37.778
2015 48.271 42.068
2016 49.472 42.958
2017 52.434 44.914

Fonte: Direção-Geral do Ensino Superior