Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Covilhã estuda hipótese de produzir energia nas condutas de distribuição de água potável. Projeto é único a nível europeu

A Barragem da Cova do Viriato, no alto da Serra da Estrela, abastece de água potável o concelho da Covilhã

João Pedro Jesus

A Câmara Municipal da Covilhã está a analisar com a Siemens a possibilidade de usar os desníveis da Serra da Estrela, a partir da Barragem da Cova do Viriato, para instalar turbinas nos adutores de distribuição de água potável pelo concelho para gerar energia hídrica 24 horas por dia

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Introduzir turbinas nas condutas de distribuição de água potável no concelho e instalar 11 sistemas de microgeração hídrica, estrategicamente posicionados em pontos intermédios de tratamento e distribuição de água, é um projeto inédito a nível europeu que está a ser analisado pela Câmara Municipal da Covilhã e pela Centro de Competências em Energias Renováveis da Siemens Portugal.

Os resultados do estudo prévio da viabilidade técnica e económica do projeto deverão ser divulgados na segunda quinzena de setembro, disse ao Expresso uma fonte oficial da Siemens Portugal. A Câmara da Covilhã aposta na utilização dos desníveis da Serra da Estrela - de 400 metros a 900 metros até às zonas de abastecimento do concelho - para gerar energia hidroelétrica 24 h por dia e 365 dias por ano em operação permanente, envolvendo os ramais principais (norte e sul) das condutas, abastecidos a partir da Barragem da Cova do Viriato, no alto da Serra da Estrela.

As condutas partem do alto da serra e distribuem água até às cotas mais baixas, o que significa que, na perspetiva da autarquia, existe um potencial elevado de geração de energia. Vitor Pereira, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, explica que um dos objetivos do projeto "é que o concelho passe a ter mais uma fonte de energia alternativa", sublinhando que "este poderá ser um projeto inovador não só em Portugal como na Europa“.

Diversificar fontes de energia e rentabilizar equipamentos

Esta aposta "surge da necessidade de diversificar as nossas fontes de energia e de rentabilizar os equipamentos existentes, retomando ao mesmo tempo um modelo energético que durante séculos serviu de base às nossas indústrias de lanifícios", adianta o autarca. Com efeito, "a localização privilegiada da Covilhã no sopé da montanha permitiu durante séculos aproveitar a força hídrica das ribeiras que nascem na Serra da Estrela e que alimentavam em termos de energia as grandes indústrias laneiras".

Durante séculos a indústria de lanifícios da Covilhã aproveitou a força hídrica das ribeiras que nascem na Serra da Estrela

Durante séculos a indústria de lanifícios da Covilhã aproveitou a força hídrica das ribeiras que nascem na Serra da Estrela

D.R.

Nesse sentido, "retomar a energia hídrica é não só uma forma de rentabilizar as potencialidades da água e dos equipamentos existentes como também de homenagear a história dos lanifícios", adianta Vítor Pereira. E tal como há vários séculos atrás, "a Covilhã volta a inovar na utilização deste recurso, que continua a ser decisivo para a economia do concelho".

No caso de os resultados do estudo da Siemens Portugal serem favoráveis ao arranque do projeto, o município abrirá um concurso público para a sua concessão. O concelho da Covilhã tem recursos hídricos abundantes em altura e fez investimentos elevados nos últimos anos na instalação de vários quilómetros de novas condutas ou adutoras, consideradas as autoestradas da água.

"Acreditamos que a experiência da Siemens nesta área das energias renováveis em projetos um pouco por todo o mundo pode adicionar valor a esta iniciativa", afirma João Silva Marques, responsável pela área de produção de energia na Siemens Portugal.