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App Waze é melhor que um sistema GPS dedicado?

d.r.

Os sistemas de navegação para automóveis ainda fazem sentido? Será que o Waze, a mais popular app de navegação GPS para smartphones, é a melhor solução para chegarmos depressa e bem ao destino? Fomos para a estrada para encontrar as respostas

Os sistemas de navegação dedicados para automóveis têm hoje concorrência nas apps para smartphones e tablets. A mais popular, o Waze, oferece características como informação de trânsito em tempo real, alertas lançados pelos utilizadores e mapas com atualização constante. Tudo grátis, se não contarmos com os possíveis custos associados às comunicações móveis. Mais funcionalidades que as que são normalmente oferecidas por sistemas de navegação dedicados, quer sejam integrados nos automóveis, quer sejam adquiridos no mercado de acessórios.

Este aumento de funcionalidade do Waze leva a que muitos leitores nos contactem para perguntar se considerarmos que ainda vale a pena comprar um sistema de navegação dedicado. Para o efeito, fomos para a estrada com um smartphone Waze e um GPS dedicado da TomTom.

Um bom duelo porque a TomTom tem demonstrado apresentar o melhor sistema de informação de trânsito em tempo real entre sistemas de navegação dedicados. Não só pela qualidade de informação, mas também pela simplicidade de uso. Os serviços Live desta marca, que incluem informação de trânsito referida, podem ser acedidos diretamente através do aparelho de navegação, nas versões com SIM integrado (cartão de acesso às redes móveis), serviço que não tem qualquer mensalidade incluída para toda a vida útil do aparelho. Mas mesmo nos TomTom Go que usam a ligação de dados do smartphone para acesso aos serviços Live, o processo é automático e livre de problemas de configuração da app. A TomTom é ainda presença habitual nos sistemas de navegação integrados nos automóveis.

Do lado dos smartphones, o Waze é uma escolha muito feliz. Além de ser gratuito, é reconhecido como a melhor app de navegação para usar dentro do carro. Esta aplicação, que faz parte do universo Google, não só tem uma cobertura de mapas muito completa como também usa diferentes fontes, incluindo os utilizadores, para informação contextual além do trânsito, como, por exemplo, corte de vias em consequência de obras e de acidentes.

Para averiguar os vários aspetos, instalámos um smartphone com Waze e um GPS Tom Tom Go e percorremos cerca de 500 km com os dois sistemas a funcionar em simultâneo. Apresentamos as nossas conclusões por áreas para perceber os pontos fortes e fracos de cada opção.

3d

Cobertura dos mapas: empate

Fomos a aldeias no interior do país, andámos por ruelas “esquecidas” em Lisboa e concluímos que o nível de cobertura dos mapas de ambas as plataformas anda muito próximo dos 100%. Já é difícil entrar uma via que não esteja nestes mapas. O que, por vezes, até cria problemas…

“Navegabilidade”: Waze

A grande cobertura indicada anteriormente faz com que estradas privadas, incluindo acesso de garagens, estradões corta-fogo e velhas vias municipais já desativadas apareçam nos mapas. O que até pode ser útil se, por exemplo, quisermos passear a pé ou fazer BTT. Mas no caso do sistema da TomTom fomos algumas vezes enviados para estradas sem saída, interditas, de acesso restrito (privadas) ou sem condições de circulação. Aconteceu até em zonas urbanas, o que significa que este problema não é um risco apenas para quem circula longe das cidades e vilas.

Por exemplo, na zona de Queluz, foi-nos proposto uma via alternativa para fugir a um engarrafamento que nos levou para uma estrada sem saída, cortada ao trânsito. De acordo com a informação de pessoas que vieram ter connosco quando nos viram atrapalhados a fazer inversão de marcha (a estrada já é muito estreita antes do bloqueio), esta via já está fechada ao trânsito há alguns anos por razões de segurança.

Com o Waze, nunca tivemos este tipo de problema, o que nos leva a concluir que, apesar de terem uma densidade de mapas semelhante, o Waze tem melhores dados relativos à real utilização das vias. No mínimo, utiliza um algoritmo menos “agressivo” que diminui a probabilidade de nos enviar para “maus caminhos”.

O Waze também demonstrou ser mais rápido a incluir alterações momentâneas nas vias. Verificámos isso mesmo várias vezes em Lisboa em consequência de alterações causadas por obras e até por produções publicitárias que levaram ao encerramento de ruas. Mas o melhor exemplo da velocidade de reação do Waze aconteceu num dos últimos dias desta experiência. Infelizmente, assistimos a um acidente entre um carro e uma moto na zona de Oeiras, que levou as autoridades a fechar o trânsito para facilitar a assistência às vítimas. Em menos de cinco minutos essa via já surgia como fechada no Waze, que recomendava uma alternativa. No TomTom não chegámos a ver o corte da via, embora indicasse o engarrafamento causado pelo aparato.

Trânsito: Waze

A informação de trânsito de ambos os serviços tem vindo a melhorar muito. Há alguns anos, apenas as vias principais estavam cobertas, o que significava que dificilmente conseguíamos evitar engarrafamentos em vias secundárias. Considerando a nossa experiência, tanto o TomTom como o Waze são já muito bons a detetar problemas de trânsito, mesmo quando acontecem em estradas que normalmente não sofrem destes “males”.

No entanto, atribuímos a vitória ao Waze pela maior velocidade de reação e, mais importante, por ter demonstrado melhor capacidade de calcular as rotas mais rápidas em função do trânsito. Fizemos várias experiências de navegação em zonas de trânsito intenso e, regra geral, as recomendações do Waze demonstraram ser um pouco mais eficientes levando a ganhos de tempo. O TomTom Traffic tem uma tendência a exagerar as consequências dos engarrafamentos, levando o condutor para outros percursos que conduzem a um de tempo de viagem superior – como sabemos, por vezes é mais rápido mantermo-nos na fila.

Informação extra: Waze

Acidentes, radares de velocidade, alertas de segurança (carros encostados na berma, por exemplo)… A comunidade Waze cresceu muito em Portugal e isso nota-se muito quando usamos esta app. Há aspetos negativos – por exemplo, a identificação de “operações stop” pode ser usada por criminosos para fugir às autoridades – mas, para quem conduz, esta informação é realmente muito útil. É incrível como, nos cerca de 500 km percorridos para esta experiência – a que se juntam já várias centenas de horas de utilização desta aplicação – foi raro o momento em que detetámos um acidente, um carro encostado à berma ou radares de velocidade não identificados pela app. Curiosamente, várias vezes verificámos que os incidentes são registados no Waze ainda antes mesmo da chegada das autoridades ao local.

Ergonomia: TomTom

O Waze tem vindo a melhorar a interface, tornando a utilização mais intuitiva e mais segura. Mas mesmo usando um bom apoio para fixar o smartphone no tablier ou no pára-brisas, um navegador dedicado da TomTom continua a ser melhor em termos de ergonomia. É mais fácil alterarmos a rota, lermos a informação e interagirmos com a interface.

Há outros pormenores que fazem a diferença. Por exemplo, um TomTom Go ligado ao carro começa a funcionar automaticamente logo que arrancamos. Quando se usa um smartphone, é necessário desbloquear, ligar uma fonte de energia externa para impedir que a bateria se esgote rapidamente – o Waze devora bateria –, colocar o aparelho no suporte… Há soluções que eliminam pelo menos parte destes problemas, mas, em geral, é mais prático e seguro usar um GPS dedicado da TomTom do que usar uma app como o Waze.

Custos: Waze

A app bem como toda a informação é grátis. Não há custos extra para atualizar mapas, obter informação de trânsito ou aceder à localização dos mapas. O único custo está no tráfego da rede móvel. A gestão de dados conseguida pelo Waze faz com que se possa usar durante muito tempo esta aplicação sem necessidade de trocar muitos megas pela rede móvel.

Mas cuidado com os plafonds do seu tarifário, sobretudo quando viaja para o estrangeiro, onde podem ser aplicadas pesadas taxas de roaming. Se não precisar de usar informação em tempo real, pode usar um género de modo offline. Comece por, quando ligado a uma rede Wi-Fi, escolher o destino; depois toque em Definições > Mapas > Utilização de dados móveis > toque em Atualizar mapa da área e desativa a opção Mostrar alertas e trânsito.

Nos aparelhos TomTom não há o risco de taxas adicionais com o download de mapas se não usar os serviços Live. Também não há custos associados a usar os serviços Live em países europeus quando a usar um dispositivo com cartão SIM integrado. Por exemplo, profissionais que viajam muitas vezes pela Europa podem ter vantagens em usar um TomTom com acesso à rede móvel integrado para não ter custos de utilização de dados sobre o trânsito.

E o melhor é…

Continua a haver vantagens de usar um sistema de navegação dedicado no carro. Sobretudo na ergonomia e segurança, mas também em alguns aspetos funcionais, como o consumo de bateria do smartphone e toda a gestão de chamadas telefónicas/navegação. Para profissionais que passam muito tempo na estrada, estas vantagens podem fazer toda a diferença.

Mas, para o utilizador comum, consideramos o Waze mais eficiente. É completamente grátis, tem informação útil da comunidade e é melhor a lidar com o trânsito e com as alterações de circulação.