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55 dos 62 sistemas de água subterrânea nacionais estão contaminados

Utilização excessiva de fertilizantes e de estrumes nos solos de produção hortícola e agropecuária são responsáveis pela contaminação da generalidade dos aquíferos com azoto amoniacal e nitratos, alerta a associação ambientalista Zero. Água para consumo humano pode ser afetada

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Dos 62 sistemas aquíferos espalhados por Portugal continental, 55 estão contaminados com azoto amoniacal e nitratos, alerta a Associação Sistema Terrestre Sustentável - Zero, em comunicado. Para chegar a estes números que consideram “preocupantes”, os ambientalistas pegaram nos dados do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente relativos a 2011 e 2015,) e perceberam que os 55 sistemas de água subterrânea poluídos com as substâncias referidas são todos aqueles para os quais há dados, já que para os outros sete não há qualquer informação.

O problema, salientam, é que “muitos dos pontos de água poluídos coincidem com pontos de abastecimento público”, que servem para abastecer um terço do volume de água potável consumido em Portugal.

Na base desta contaminação estão as atividades agrícola e pecuária intensivas. “Os portugueses estão longe de saber que a produção de alguns dos alimentos que consomem – como o leite, a carne de porco ou os produtos hortícolas – está a contribuir para a poluição generalizada das águas subterrâneas”, afirma a ZERO no comunicado divulgado esta sexta-feira.

Os sistemas aquíferos em causa estão divididos por quatro unidades hidrogeológicas – Maciço Antigo, Orla Ocidental, Orla Meridional e Bacia do Tejo-Sado – que, no seu conjunto, acumulam uma reserva estratégica de água de 7.900 hectómetros cúbicos (hm3). Para a Zero, “trata-se de um volume de água essencial para prevenir os riscos cada vez mais evidentes e recorrentes de escassez hídrica - como a que estamos a assistir neste ano e que tenderão a agravar-se com os efeitos das alterações climáticas".

Desconhecendo o que a Direção Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rura (a autoridade nacional nesta matéria) está a fazer “para inverter este quadro de descontrolo total”, tendo em conta o não cumprimento de boas práticas agrícolas, os ambientalistas exigem “medidas imediatas e o fim da subsidiação às práticas agrícolas e pecuárias insustentáveis”.