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Sindicalista histórico da Autoeuropa acusa sindicato afeto à CGTP de “populismo”

Líder da Comissão de Trabalhadores da fábrica da Volkswagen durante duas décadas, António Chora está espantado com a greve desta quarta-feira. PCP e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente estão a fazer “um assalto ao castelo”, afirma

O ex-líder da Comissão de Trabalhadores (CT) da Autoeuropa, António Chora, está “espantado” com a greve que esta quarta-feira está a paralisar a fábrica da Volkswagen - a primeira em 26 anos. Em entrevista ao “Jornal de Negócios”, o sindicalista histórico, que abandonou o cargo há sete meses depois de 20 anos a representar os trabalhadores de Palmela, acusa o PCP e o SITE (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente) de estarem a fazer um “assalto ao castelo”.

“É claramente o assalto ao castelo e a tentativa do PCP de pressionar o Governo para algumas cedências noutros lados. Mas isso tem sido a prática ao longo dos anos”, afirma.

António Chora, com ligações ao Bloco de Esquerda, vai mais longe e considera que “as pessoas estão demasiado instrumentalizadas e demasiado confiantes nas palavras de pessoas que nunca viram na vida delas”.

“Nunca pensei ver tanta verborreia como tenho visto ultimamente, mas o populismo é assim”, diz.

Ainda assim, acredita que trabalhadores e empresa podem chegar a acordo. “Penso que sim, se houver uma nova Comissão de Trabalhadores com carisma”. Sobre essa nova comissão, António Chora, agora reformado, não esconde que preferia ver eleita “uma lista independente”.

Quanto ao seu percurso sindical na Autoeuropa, marcado por relações laborais estáveis, diz orgulhar-se “de ter sido membro de uma CT que começou numa fábrica com 144 pessoas”, tendo de lá saído “com quatro mil, contrariamente a muitos sindicatos que entraram com 11 mil trabalhadores e saíram com ninguém”.

  • PCP ignora acusações de António Chora sobre greve na Autoeuropa

    “Cabe aos trabalhadores e às suas organizações representativas definir as suas posições e formas de luta”, afirmam os comunistas, sem comentar as declarações do ex-dirigente do BE e da comissão de trabalhadores da empresa. António Chora acusa o partido de estar por detrás da greve para ganhar margem de manobra nas negociações orçamentais com o Governo