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“Décadas de negligência”. “Financial Times” diz que incêndios expõem abandono do interior rural

Luís Barra

Jornal britânico escreve que a solidariedade que os concelhos mais afetados pela vaga de incêndios florestais estão a receber não é suficiente para compensar o abandono das áreas rurais do interior durante décadas

Os incêndios, que devastam desde junho o centro de Portugal, refletem “décadas de negligência” e “afastamento do poder político” em relação às zonas rurais do interior, escreve o “Financial Times” (FT).

Num artigo publicado esta terça-feira, o jornal afirma que os auxílios que os concelhos mais afetados pelos incêndios estão a receber não são suficientes para compensar o abandono das áreas rurais. “Para muitos, nós somos apenas as povoações das montanhas”, diz o autarca de Pedrogão Grande, Valdemar Alves, citado pelo FT.

“A sensação de abandono é partilhada pelas aldeias pouco povoadas ao longo de Portugal, onde os habitantes sentem pertencer a comunidades esquecidas que vivem no lado errado de uma profunda divisão entre a costa atlântica urbana e o pobre interior rural”, acrescenta o jornal.

Opinião também subscrita pelo ministro-adjunto Eduardo Cabrita, que sublinha ao jornal britânico que os municípios do interior foram ainda mais penalizados devido à austeridade. É mais difícil para uma economia crescer quando a centralização exige que “até os organizadores de uma competição de voleibol de praia no norte tenha de pedir autorização aos ministros da Defesa e do Ambiente em Lisboa”, exemplifica o governante.

Os “poderes limitados” das autarquias aliados aos “escassos recursos” contribuem em grande parte para o êxodo rural e o envelhecimento do interior. Por último, o FT salienta que o Governo de António Costa está a preparar reformas que visam dar mais poderes às autarquias em diversas áreas.