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A estreia da Microsoft no mundo dos portáteis: muita coisa boa e alguns erros clamorosos

d.r.

A Microsoft passa por uma fase pujante de inovação. Depois de ter mostrado o Surface Studio, que é (seguramente) o computador mais interessante dos últimos 2 anos, a empresa americana continua apostada no fabrico de PC. O mercado português conta agora com o Laptop, que marca a entrada da “empresa do Windows” no mundo dos portáteis

E eis que, em 2017, a Microsoft entrou no segmento dos portáteis. Este é o primeiro computador a ostentar a marca da empresa ao qual não é possível retirar o teclado. O Surface Laptop (o nome não engana) é uma máquina com um visual arrebatador e, apesar de ser muito bem acabado, tem arestas por limar. Já lá vamos. Para já, importa explicar que este computador é uma obra de design imaculada. Não há nada a apontar. O luxo do alumínio domina o chassis, onde não conseguimos ver um único parafuso.

Quando o abrimos, somos surpreendidos pelo toque suave da Alcantara – um tecido que a Microsoft usa para revestir a superfície que ladeia o teclado. Não podemos atestar da durabilidade deste material (para isso teríamos de fazer um teste de longa duração que implica uma utilização de um mínimo de 6 meses), mas podemos assegurar que é muito confortável. Aliás, temos de destacar a área generosa de repouso dos pulsos, que permite utilizações longas do computador menos stressantes para as articulações. Mas voltemos ao Alcantara.

Obtivemos diferentes reações nas pessoas que viram e tocaram neste Laptop. Alguns gostaram do tecido, mas foram mais os que acharam que este acabamento não contribuía para o aspeto premium do resto do equipamento. Ou seja, caso esteja interessado em adquirir uma máquina deste tipo, aconselhamo-lo vivamente a que a veja (e toque) em loja. Pessoalmente (eu, o autor do artigo), gostei. Seja pela forma como está bem integrado no chassis, seja pelo conforto proporcionado – e há várias cores disponíveis. Mas confesso as minhas dúvidas sobre a sua durabilidade.

Portas fechadas ao mundo

Não conseguimos encontrar uma única explicação válida para a Microsoft ter decidido colocar aqui uma única porta USB. E o que levou a Microsoft a manter-se fiel ao USB 3.0? Por que não avançou para o Tipo-C, que está a ganhar espaço em tudo o que são acessórios de nova geração? Por que não colocar uma de cada? Só a Microsoft pode responder a estas perguntas. É verdade que a maioria dos dispositivos que ligamos hoje a um computador (a impressora e o leitor de cartões, por exemplo) ainda são USB, mas isso está mudar. Ou seja, este Surface tem em conta aquilo que usamos agora, mas não é à prova do futuro.

E vamos ao ecrã. É um dos maiores argumentos deste Laptop. Com 13,5 polegadas e 2256x1504 píxeis de resolução (201 pontos por polegada), esta “janela para o mundo” tem capacidade para mostrar todos os pormenores das imagens mais elaboradas. E gostamos, muito, da relação de aspeto de 3:2. Ficamos com um ecrã bastante quadrado, mas com uma maior altura. O resultado final é uma área mais generosa na vertical, o que nos permite ver mais conteúdos quando estamos, por exemplo, a navegar na Web.

Este é também um ecrã com um bom grau de inclinação, que servirá, diz o fabricante, para poder utilizar a Surface Pen – o stylus, da Microsoft. No entanto, como não tivemos acesso a esse acessório para o teste, não nos foi possível tirar a limpo se este ajuste faz sentido.

Ficámos muito agradados com as cores mostradas e com a rapidez de resposta do ecrã. No entanto, é importante avisar que ele não é imune a reflexos. Notámo-lo dentro de portas, mas no exterior, debaixo de luz direta do sol, torna-se muito complicado ver o que está a ser mostrado no ecrã. Ou seja, para trabalhar na rua, só sob uma qualquer sombra.

Não temos nada a apontar ao comportamento do teclado e do touchpad. Ambos são generosos o suficiente para que consigamos interagir de forma rápida e bastante precisa. O touchpad, aliás, é dos maiores que temos visto integrados em portáteis recentes. O que interessa reter é que ambos funcionam de forma irrepreensível.

Windows 10 S? Não, obrigado

Este computador vem com o Windows 10 S instalado. A Microsoft diz que esta versão é “mais segura” mas, na verdade, este Windows é castrador da liberdade de utilização do sistema. Porquê? Porque só permite a instalação de aplicações provenientes da Loja Windows. Sim, leu bem. Esqueça lá o Photoshop, o Chrome ou o Opera. Aliás, todos os utilizadores um pouco mais avançados e que trabalham com ferramentas específicas vão ficar profundamente desagradados com este facto. Spotify? Sim, mas só no browser!

Ok, percebemos que a Microsoft queira posicionar o Laptop para o sector da Educação e para os utilizadores menos intensivos, mas este Windows S não tem, em nossa opinião, qualquer tipo de justificação. Lembra-nos as limitações dos Chromebooks. No entanto, essas máquinas que usam o sistema operativo da Google são muito, mas muito, mais baratas. Ah! E gostamos muito do browser Edge (o navegador de Internet da Microsoft), mas ainda não está ao nível do Chrome, que é bastante melhor. E, para concluir este tiro no pé que é o Windows S, se a Microsoft queria impor a sua loja de aplicações, tinha de certificar-se que a oferta de apps é imbatível. E não, não é.

A boa notícia é que, até ao final do ano, é possível fazer a atualização, gratuita, para o Windows 10 Pro. Acreditamos que todos os utilizadores vão fazê-lo assim que liguem esta máquina pela primeira vez. A partir desse momento, ficam com um portátil bastante capaz e com o tal design fantástico.

A funcionar

Recebemos a versão com um processador Core i5 de 2 núcleos a 2,5 GHz, 8 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento (SSD). Não é a configuração mais baixa, mas quase. A utilização de teste que fizemos mostrou uma máquina que lidou bem com as tarefas que lhe demos. Ou seja, ver vídeos, navegar na Web, escrever em aplicações baseadas na Web (não ativámos o Office 365 que vem instalado com a máquina – a Microsoft dá um ano de utilização gratuita) e jogar algumas apps da loja. Tudo correu sem problemas. Notámos, no entanto, que o Laptop começou a aquecer ao final de 15 minutos de jogo. Não ouvimos qualquer som inerente à dissipação, mas, ao toque, este Surface estava consideravelmente mais quente. Isto aconteceu, reforçamos, a jogar. Quando utilizámos várias apps em simultâneo e abrimos 15 janelas no Edge… a temperatura manteve-se estável.

A parte de testes só veio confirmar aquilo que já sabíamos: nesta configuração, o Laptop é um bom computador para a grande maioria dos utilizadores comuns. No entanto, já testámos máquinas de igual preço e com um design muito conseguido, que conseguem melhores resultados nos benchmarks e são mais versáteis.

Em conclusão

A Microsoft acerta em várias coisas e tem de melhorar outras. Acerta no design, que criou de raiz, e no excelente ecrã integrado. O mesmo acontece para o teclado e para o touchpad. Até as configurações são equilibradas tendo em conta o que existe no mercado hoje. Mas falha, claramente, na ausência do USB Tipo-C e na pouca conectividade disponível. Também não acerta no Windows 10 S (apostamos que vai ser obrigada a estender o período de atualização gratuita para o Pro além de dezembro) e temos muitas dúvidas de como vai ser percecionada a integração do tecido Alcantara.

O Surface Laptop é, sem dúvida, um computador muito conseguido, mas que tem muitos rivais à altura no mercado. Felizmente, longe vão os tempos em que só alguns fabricantes conseguiam desenvolver equipamentos bem desenhados.

Surface Laptop

Preço: €1499
Sistema operativo: Windows 10 S
Processador: Core i5 de 2 núcleos a 2,5 GHz
Memória: 8 GB de RAM
Armazenamento: 256 GB (SSD)
Gráficos: Intel HD 620
Ecrã: 13,5”, 3:2, 2256x1054 px (201 ppp)
Conectividade: Wi-Fi, BT 4.0, 1x USB 3.0, 1x Mini DisplayPort, phones
Dimensões: 308,1x223,27x14,48 mm
Peso: 1,2 kg