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Portugueses perdem €3,1 milhões por dia em jogos da sorte

Todos os dias entram oito milhões de euros, em média, nos cofres da Santa Casa, referente às vendas dos jogos

Gonçalo Rosa da Silva

Dados dos primeiros seis meses do ano dos jogos da Santa Casa da Misericórdia mostram que os portugueses gastaram mais que no mesmo período do ano passado

Os portugueses perderam por dia, nos primeiros seis meses deste ano, uma média de mais de três milhões de euros nos jogos explorados pela Santa Casa, isto é, no Euromilhões, no Totoloto, no Totobola, no Totosorteio, no Joker, que entretanto foi suspenso, nas lotarias e nas apostas desportivas.

Trata-se de uma conta feita a partir de dados oficiais, a que o Expresso teve acesso, e que indicam terem sido distribuídos 913,3 milhões de euros em prémios, entre janeiro e junho passados, retirados dos 1487 milhões resultantes das vendas (valores brutos) dos jogos sociais, cuja exploração foi concedida pelo Estado à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Mas, como se sabe, no jogo não se perde apenas, também há quem tenha sorte. Assim, por dia, a Santa Casa distribuiu €5.045.856,35 em prémios, contra os €3.119.889,50 que representam o gasto dos apostadores que não obtêm retorno. E que dariam para comprar, todos os dias, um Sinan Gümüs, caso o Galatasaray quisesse vender o jogador alemão pelo preço que o Benfica pretendia no passado mês de junho.

Feitas mais umas contas, concluiu-se que se gastam por dia nas apostas nos jogos sociais mais de oito milhões e 165 mil euros - e não quer dizer, de facto, que os apostadores sejam apenas portugueses, já que também se podem incluir residentes e turistas estrangeiros ou outros jogadores de fora de Portugal que usem o sítio dos jogos online.

No ano passado, no mesmo período de tempo, a venda das apostas nos jogos sociais rendeu mais de 1,3 milhões, mas não atingiu os 1,4, ficando assim um bom pedaço abaixo dos resultados obtidos neste ano.

bruno rascão

Entre todos os jogos, no que respeita ao engrossar das vendas, dos prémios e dos lucros, o maior contribuinte continua a ser o Euromilhões. No primeiro semestre, as vendas brutas destas apostas valeram mais de €365 milhões, o que representa um peso relativo de 24,5% no universo dos jogos sociais, mais especificamente entre a lotaria nacional, o totobola, o totoloto, o joker, a lotaria Instantânea, mais conhecida por “raspadinha”, as apostas desportivas à cota de base territorial, intituladas “placard”, e o totosorteio, vulgo “milhão”.

Em prémios, os apostadores do Euromilhões ganharam mais de 182,5 milhões de euros. Desde que este jogo foi criado em 2004 e até agora, só em primeiros prémios, a Santa Casa já distribuiu mais de dois mil milhões de euros.

Destes dados da Misericórdia, consta ainda o valor a distribuir pelos beneficiários dos jogos sociais, a que a lei atribui percentagens diversas. Nestes mesmos seis meses, essas entidades tiveram direito a um total de 345,9 milhões de euros.

Além dos 2,8% dos resultados líquidos que constituem receitas do Estado, entre os beneficiários encontram-se, com finalidades definidas e limitadas, a presidência do conselho de ministros, os ministérios da Administração Interna, do Trabalho e da Solidariedade Social, da Saúde, da Educação e ao da Cultura.

Têm ainda a receber como beneficiários estipulados na lei o Instituto de Desporto da Madeira (0,2%), o Fundo Regional do Desporto dos Açores (0,2%) e a própria Santa Casa da Misericórdia, que fica com 28%.