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Porto preparou em quatro dias candidatura à Agência Europeia do Medicamento

Porto concorre com 19 cidades europeias a sede da Agência Europeia do Medicamento

Rui Duarte Silva

Cidade, em concorrência com outras 18 metrópoles europeias, disponibiliza três locais para uma decisão final a ser tomada a 15 de novembro pelo Conselho Europeu

Esta quarta-feira pelas 11h, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, apresentará em Lisboa pela primeira vez o vídeo promocional da candidatura portuguesa a sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA na sigla em inglês), concebido no Porto por profissionais da cidade. As imagens tratarão de colocar em relevo as potencialidades da Invicta, mas, para a história ficar completa, faltaria o “making-of” tão fundamental à compreensão de todos os grandes filmes.

O que agora parece uma candidatura consolidada, que terá um primeiro mas não decisivo teste no dia 30 de setembro, quando for dado o aval técnico às 19 propostas, no sentido de confirmar se respondem ou não aos requisitos necessários, tem por trás todo um trabalho de bastidores feito em cima do arame, em escassos quatro ou cinco dias. Esse foi o tempo conseguido pelos responsáveis portuenses entre uma primeira reunião em Lisboa para avaliação das possibilidades de a cidade avançar e o encontro seguinte. Quando as partes envolvidas voltaram a reunir-se, no salão nobre da Câmara do Porto (CMP), estava já em cima da mesa um dossiê muito técnico, com mais de 70 páginas carregadas de informações sistematizadas sobre as mais diversas áreas equacionadas para sustentar a candidatura.

Embora o vereador da CMP Ricardo Valente tenha aparecido esta terça-feira a dar cara numa conferência de imprensa, ao lado de Rui Moreira, para revelar alguns detalhes relacionados com a candidatura, a verdade é que, como o sublinhou numa conversa posterior o médico Eurico Castro Alves, da Comissão da Candidatura Portuguesa, “há mais de 30 pessoas a trabalhar neste projeto”.

Para Rui Moreira era importante “o Porto demonstrar que faz parte de um núcleo restrito de cidades capazes” de se envolverem num desafio desta dimensão. Desde logo porque, assinalou Ricardo Valente, a Agência, com um orçamento anual de €350 milhões, mobiliza perto de duas mil pessoas, entre trabalhadores e seus familiares. É, além disso, a agência que mais visitas recebe: 30 mil por ano.

Escolas internacionais

Colocavam-se aqui duas questões cruciais para o Porto, por à partida poderem ser aquelas em que aparentemente apresentaria maior fragilidade. Por um lado dar resposta às necessidades de ensino de 640 crianças necessitadas de escolas internacionais, e demonstrar boa capacidade de alojamento. A oferta existente nos vários domínios veio a revelar-se à altura das exigências feitas e, agora, a cidade está num mesmo combate em que se integram Amesterdão (Holanda), Atenas (Grécia), Barcelona (Espanha), Bona (Alemanha), Bratislava (Eslováquia), Bruxelas (Bélgica), Bucareste (Roménia), Copenhaga (Dinamarca), ao que parece disponível para oferecer à Agência 20 anos de rendas, Dublin (Irlanda), Helsínquia (Finlândia), Lille (França), Milão (Itália), Sofia (Bulgária), Estocolmo (Suécia), Malta (Malta), Viena (Áustria), Varsóvia (Polónia) e Zagreb (Croácia).

O Palácio dos Correios, nos Aliados, o Palácio Atlântico, na Praça D. João I, ou instalações a criar na Avenida Camilo Castelo Branco, frente ao Liceu de Alexandre Herculano, são as três propostas de localização para a Agência Europeia do Medicamento no Porto. Se alguma delas virá, ou não, a ser necessária em março de 2019, saber-se-á no dia 15 de novembro com a decisão final do Conselho Europeu. Para já, e numa altura em que todas as candidaturas estão a colocar em destaque os pontos fortes passíveis de justificarem uma escolha, é o tempo de a diplomacia funcionar em paralelo com a real capacidade de cada uma das cidades candidatas.

No essencial, o que estará aqui em causa, no respeitante ao edifício a escolher e eventuais obras necessárias ao acolhimento da EMA, é uma operação imobiliária entre privados. A Câmara Municipal terá, no contexto desta candidatura nacional, apenas um papel regulador.