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A “Terra é uma ilha” e discute-se como salvá-la numa pequena ilha africana

Divulgação

Na Reserva Mundial da Biosfera do Príncipe, no arquipélago de São Tomé, investigadores, técnicos e políticos de sete países de língua portuguesa vão partilhar, durante quatro dias, conhecimentos para defender o planeta e ir ao encontro dos objetivos do Acordo de Paris através da educação ambiental

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Sob o título "a Terra é uma ilha", a do Príncipe, em São Tomé – Reserva Mundial da Biosfera – é o palco do IV congresso internacional de educação ambiental dos países e comunidades de língua portuguesa (CPLP). A metáfora serve para mostrar como a Terra é frágil no meio do universo e demonstrar que não há soluções milagrosas para salvar o planeta se não houver mudanças de comportamentos a nível local, regional e pessoal.

"A educação muda aqueles que podem mudar o mundo", sublinhou o presidente do governo regional do Príncipe, José Cassandra, na abertura do congresso."Contente" por acolher tanta gente de fora, Cassandra, lembra que este congresso " é uma experiência totalmente nova para o Príncipe". E reforça a sua importância: "Temos de beber todo o conhecimento que daqui vai sair" para enfrentar os desafios de uma ilha "que convive todos os dias com as alterações climáticas", vendo-se obrigada a deslocar as comunidades que vivem mais próximo do mar para o interior devido à subida das águas.

Também Fernanda Rollo, secretária de Estado portuguesa da Ciência e Tecnologia , sublinha que " o conhecimento, enquanto bem público, que pertence a todos e deve ser apropriado por todos, é essencial para sustentar a luta por um mundo mais sustentável".

O governador do Príncipe aproveitou ainda para marcar posição contra "a exploração desenfreada de recursos naturais" – referindo-se, sem especificar, às tentativas de exploração de óleo de palma ou de exploração de petróleo, e lembrando que "sendo a Terra uma ilha nunca como hoje foi tão importante esta ligação entre diferentes comunidades para travar essa exploração insustentável". A classificação do Príncipe como Reserva da Biosfera permitiu criar um instrumento de defesa contra algumas das ameaças.

A ideia é reforçada por Joaquim Ramos Pinto, presidente da associação Portuguesa de Educação Ambiental, entidade coorganizadora deste evento lusófono, que vê no estatuto de preservação internacional e no papel político da educação Ambiental "uma resposta às fragilidades e um contributo para viver nos limites do planeta".

Quanto ao encontro internacional que agora começa, defende que "dá oportunidade aos participantes para tomarem contacto com a multiplicidade de olhares que cruzam com o campo da Educação Ambiental dos países, regiões e comunidades falantes da língua portuguesa", mas também a possibilidade de dinamizar projetos locais que permitem o crescimento de uma economia social sustentável.

Em conjunto com o governo regional do Príncipe e outros parceiros, conseguiram juntar nesta pequena ilha de 136 quilómetros quadrados 273 delegados representantes de instituições públicas e privadas, assim como técnicos e cientistas dos países da CPLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Portugal e Timor Leste e, ainda, da região espanhola da Galiza, que também integra a Rede Lusófona de Educação Ambiental, criada em 2005. Entre 17 e 20 de julho vão partilhar experiências no campo da investigação e educação ambiental. O esforço de montar um congresso desta dimensão numa ilha como esta "equivale a organizar um congresso de 5000 pessoas numa cidade como Lisboa"

Plácida Lopes, coordenadora da comissão organizadora e responsável pela Reserva da Biosfera. cita Nelson Mandela, lembrando que " a educação é é a arma mais poderosa para mudar o mundo.