Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

João Semedo diz que declarações do bastonário sobre a entrevista de Gentil Martins “não auguram nada de bom”

Alberto Frias

Ex-líder do Bloco de Esquerda e médico João Semedo estranha as diferenças quanto ao modo como a Ordem dos Médicos agiu agora com a entrevista de Gentil Martins ao Expresso e como reagiu anteriormente a uma polémica entrevista, concedida também ao Expresso, do médico Manuel Pinto Coelho

João Semedo acusa a Ordem dos Médicos (OM) de “dualidade de critérios” no modo como está a lidar com a entrevista a Gentil Martins, publicada este sábado no Expresso - em que o famoso cirurgião qualifica a homossexualidade como uma “anomalia” - e como agiu perante a polémica entrevista concedida pelo médico Manuel Pinto Coelho em maio, publicada também na revista E do Expresso.

“E, agora, o que vai fazer a Ordem dos Médicos? Estou curioso para ver o que vai, agora, fazer a Ordem dos Médicos, sempre tão ciosa da sua ética e deontologia. As primeiras declarações do bastonário Miguel Guimarães - temerosas e hesitantes - não auguram nada de bom pela displicência que revelam: ficar à espera que algum médico se queixe não é próprio de um bastonário, não é esse o seu papel”, escreve Semedo num comentário publicado este domingo na sua página no Facebook, a propósito da entrevista de Gentil Martins.

“Ao contrário do que diz Miguel Guimarães, não estamos perante o simples exercício do inatacável direito à liberdade de pensamento e opinião”, acrescenta o ex-líder do Bloco, considerando que o médico “não se limitou a exprimir uma opinião contrária à posição da OM e errada do ponto de vista médico e científico. Gentil Martins acrescentou que tem procedido e continuará a proceder com base nesse pressuposto discriminatório, o que vai muito para além da liberdade de expressão”, prossegue João Semedo. “Salvaguardadas as devidas diferenças, a OM não esperou por qualquer queixa para abrir um processo ao médico Manuel Pinto Coelho...E fez muito bem. Registo a dualidade de critérios”, acrescenta Semedo.

Na entrevista publicada a 13 de maio, Pinto Coelho defendia a ingestão diária de água do mar diluída, a exposição solar sem proteção ou a suspensão das estatinas para a maioria dos casos de colesterol elevado - estas são algumas das ideias polémicas sustentadas pelo médico.

A OM decidiu na altura enviar a entrevista para o conselho disciplinar e divulgou uma mensagem na comunicação social frisando que considerava as declarações em causa “potencialmente graves para os doentes”.