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Porto já assegurou escolas para filhos dos funcionários da EMA

Eurico Castro Alves, membro da Comissão Nacional de Candidatura à sede da Agência Europeia do Medicamento, garante que o Porto cumpre todos os requisitos técnicos para acolher as famílias dos 890 funcionários do regulador europeu, entre os quais o da oferta de escolas em língua inglesa, francesa e alemã

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Eurico Castro Alves recusa-se "a alinhar no jogo" sobre qual seria a cidade com maiores hipóteses de vencer a corrida a sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA). “O tempo de discussão e de sentimentos bairristas acabou. O Porto foi escolhido, e bem”, afirma o diretor do departamento cirúrgico do Hospital de Santo António que liderou o Porto, até quinta-feira, a candidatura contrarrelógio do Porto.

O ex-administrador da EMA e membro da Comissão Nacional de Candidatura garante que não vai entrar em ruídos de fundo que possam prejudicar a possível escolha de Portugal em novembro, advertindo, sem citar nomes, que agora o que é preciso é ter sentido de Estado. Castro Alves afiançou ao Expresso desconhecer o inquérito interno da EMA sobre a preferência dos 890 funcionários da agência, a funcionar em Londres mas que será deslocalizada por força do Brexit em 2019, por Lisboa em detrimento de cidades concorrentes como Milão, Copenhaga e Lille, resultado que relativiza.

“Desconheço os termos em que o inquérito foi feito e por quem, até porque se fosse importante teria sido publicado ou comunicado aos países membros”, diz. Na sondagem realizada na passada semana, o Porto não foi equacionado na lista sujeita a auscultação do staff, devendo o projeto de candidatura nacional só ser comunicado a Bruxelas nos últimos dias do prazo limite, a 31 de julho.

Apesar de subscrever a opinião de Rui Moreira sobre o difícil campeonato de mais de 20 concorrentes que se avizinha, o presidente do Infarmed entre 2012 e 2015 assegura que o Porto preenche todas as condições e requisitos técnicos exigidos pela EMA, desde oferta de escolas, alojamento, transportes, qualidade de vida, sem esquecer que Portugal é um país seguro.

Com um leque de oferta mais reduzido do que Lisboa ao nível de escolas internacionais, a equipa da Câmara do Porto afeta ao processo já assegurou junto dos colégios da Invicta de língua inglesa, francesa e alemã e do CLIP - The Oporto International School - a abertura de turmas suficientes para acolher os mais de 600 filhos dos 890 funcionários que neste momento trabalham na Agência do Medicamento.

Castro Alves lembra que o Ensino Superior no Porto, público e privado, tem neste momento cerca de 70 mestrados/pós-graduações “totalmente em língua inglesa”, tendo já sido acordado ainda com as duas faculdades de farmácia da cidade a abertura de pós-graduações na área do medicamento, a orientar por pessoas dotadas das melhores competências.

A hora da batalha diplomática

“É uma candidatura robusta, com bastante mais potencialidades do que fragilidades”, refere Castro Alves, que indica ainda como vantagens o facto de a região alocar o aeroporto eleito este ano o melhor da Europa, o Porto ter sido de novo nomeado melhor destino europeu, uma universidade líder nacional na produção científica nas áreas da saúde e biomédicas.

“A candidatura nacional cumpre todos os requisitos técnicos, por isso está na hora de todos remarem para o mesmo lado, a começar pelas instituições do sector, sem divisões que possam prejudicar a nossa imagem e dar vantagem aos concorrentes”, sustenta Castro Alves, frisando que a partir de agora o mais importante será a “batalha” da diplomacia. “Ainda hoje, a Comissão Nacional reuniu, somos cerca de 30 membros da aérea da educação, saúde, segurança social, finanças e negócios estrangeiros, e senti uma enorme mobilização de todos em torno desta candidatura”, sustenta o ex-administrador da EMA, que diz que, mesmo sendo do Porto, colocaria o mesmo entusiasmo na candidatura de Lisboa, caso tivesse sido a escolha final.

Na valência de edifícios propostos para albergar a EMA, o Porto indicou seis alternativas, que incluem terrenos para construção e imóveis capazes de sediar chave na mão a agência num prazo de 10 meses. Todos com ligações de metro para o aeroporto, num máximo de 30 minutos.

Num relatório da KPMG, divulgado em março e encomendado pelo candidatura de Copenhaga, no pódio das concorrentes mais fortes figuram Paris, Copenhaga e Estocolmo, seguidas por Munique, Amesterdão e Berlim. No ranking das 16 cidades avaliadas, Lisboa figurou em penúltimo lugar, à frete de Roma que não se candidatou. Segurança, estabilidade política, qualidade de vida, atratividade para as famílias, infraestrutura e ligações e investimento e capacidade científica foram as principais valências avaliadas.