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Porto desenterra reservatório de água para contar história da cidade

D.R.

Desativado em 1998, o antigo reservatório de água da Pasteleira, no Porto, estava há muito tempo escondido debaixo de terra. Agora será reconvertido num espaço museológico para mostrar a história da cidade e abre portas em outubro do próximo ano

André Manuel Correia

O antigo reservatório de água da Pasteleira, no Porto, inaugurado em 1986 e desativado em 1998, há muito tempo estava enterrado e entregue ao esquecimento. O local, desconhecido de grande parte dos habitantes, vai dar lugar a um novo polo do Museu da Cidade – um centro interpretativo que abre portas em outubro de 2018, destinado a contar a história da Invicta. A empreitada, a cargo da empresa Águas do Porto, terá um custo de 700 mil euros, sem incluir o investimento ainda sem estimativa para dotar o espaço dos equipamentos indispensáveis.

As obras já em curso, com coordenação dos arquitetos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, vão transformar o vetusto reservatório num moderno equipamento museológico, apostando em narrativas multimédia para contar alguns dos grandes momentos históricos da cidade de forma interativa.

Entre eles, destaque para o Cerco do Porto, a implantação da República, a ligação da cidade ao Rio Douro e ao mar, entre outros episódios marcantes, explicou Alexandra Lima, da Divisão Municipal de Museus e Património, durante a conferência de imprensa para apresentação de um projeto que, acrescenta, pode atrair “visitantes nacionais e estrangeiros”.

“Está previsto que em outubro de 2018 possa abrir as portas já com o programa que, neste momento, está a ser delineado pelos arquitetos e pelo cenógrafo que com eles trabalha”, adiantou Alexandra Lima relativamente a este novo polo do Museu da Cidade, organizado de forma policêntrica e distribuído por diferentes núcleos com distintas valências.

D.R,

Rui Moreira conta que, aquando da primeira visita ao local, acompanhado pelo antigo vereador da Cultura Paulo Cunha e Silva, praticamente toda a área estava soterrada e a única entrada possível era através de uma tampa de saneamento. Agora, tudo está diferente. Mais luminoso e com todo o interior do edifício – recheado de arcos e colunas do séc.XIX – pintado de branco. No antigo reservatório foram ainda construídos quatro lanternins, colocados na cobertura do edifício e que poderão servir como anfiteatros.

Um bom casamento com o programa Cultura em Expansão

Na opinião do presidente da Câmara Municipal do Porto, este é um espaço com um “valor patrimonial incrível” e sublinha que o projeto “casa bem” com o programa “Cultura em Expansão”, pensado para descentralizar a cultura e levá-la até zonas mais periféricas da cidade, evitando uma “hiperconcentração dos equipamentos museológicos na Baixa” da cidade. “Vai trazer mais pessoas para outras áreas. Vai permeabilizar um jardim magnífico que, atualmente, é pouco utilizado e está muito bem restaurado”, acrescentou Rui Moreira, referindo-se ao Parque da Pasteleira.

“Há um sentimento arqueológico aqui dentro e pareceu-me que o devíamos aproveitar para este polo museológico”, disse o autarca, lembrando que este é um projeto pensado há muito anos, “mas nunca tinha havido uma decisão ou um equipamento tão óbvio como este que estava, afinal, aqui enterrado”.

O presidente da Câmara Municipal do Porto lembrou ainda que, em 2001, foi discutido e desenhado pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira um “projeto grande” para o Museu da Cidade e que nunca chegou a avançar. “Talvez por esse projeto nunca ter sido concretizado parou-se muito no tempo. Ficamos, de facto, muito parados”, reconhece o edil.