Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Dar dinheiro cria sensação de felicidade

EMMANUEL DUNAND/GETTY

Afinal, o dinheiro dá felicidade... se for gasto com os outros. A conclusão é de um estudo científico que monitorizou os cérebros de 50 pessoas e que mostrou que mesmo pequenas doações são suficientes

“O nosso estudo fornece dados comportamentais e neurológicos que sustêm a ligação entre generosidade e felicidade”, referem os autores do estudo divulgado na publicação cientifica “Nature Communications”.

A decisão de dar dinheiro ativa uma área do cérebro relacionada com a sensação de felicidade, concluiu a investigação, com base nos dados obtidos através da monitorização da atividade cerebral de um grupo de 50 pessoas, efetuada num laboratório da cidade suíça de Zurique.

A estes participantes na investigação foi prometida uma quantia de 25 francos suíços (23 euros) semanais ao longo de um mês.

A metade foi solicitado que se comprometessem a gastar o dinheiro com outras pessoas, enquanto os restantes podiam gastá-lo consigo próprios.

Os investigadores examinaram a atividade de três áreas dos seus cérebros: uma área associada ao altruísmo e ao comportamento social, outra à felicidade, e a terceira envolvida no processo de tomada de decisões.

O grupo que se comprometeu em efetuar doações mostrou níveis de felicidade superiores, comparativamente com aqueles planearam gastar o dinheiro consigo próprios. Os dados mostraram também que o nível de felicidade era independente de se comprometerem em doar uma maior ou menor quantia.

“Você não precisa de tornar-se num mártir, auto-sacrificando-se, para se sentir mais feliz. Bastará ser apenas um pouco mais generoso”, frisou Philippe Tobler da Universidade de Zurique, citado pela agência France Presse.

Nenhuma doação chegou sequer a ser efetuada durante a experiência, tendo bastado a tomada de decisão das doações para o surgimento da sensação. “É notável que a decisão por si só gera uma alteração neurológica antes da ação ser implementada”, acrescentou Tobler.

“A generosidade e a felicidade melhoram o bem-estar individual e podem facilitar o sucesso societal”, escreveram ainda os investigadores, chamando a atenção que “apesar disso, na vida quotidiana, as pessoas subestimam a ligação entre generosidade e felicidade e negligenciam por isso os benefícios de… se gastar” com outros.

As conclusões levaram a co-autora do estudo Soyoung Park, da Universidade de Luebeck, Alemanha, a lançar as questões: “Pode a comunicação entre estas regiões do cérebro ser treinada e fortalecida?” e “Será que o efeito persiste quando usado deliberadamente, ou seja, se uma pessoa se comporta de forma generosa para se sentir mais feliz?”