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Centros de Saúde em Pedrógão continuam sem sistema informático quase um mês depois do fogo

Quase um mês depois dos fogos que atingiram o concelho, há quem ainda não tenha acesso à rede fixa de telecomunicações

Marcos Borga

Os utentes dos centros de saúde de Vila Facaia e da Graça precisam de renovar as baixas médicas e ter acesso a receituários, mas não podem porque o sistema informático não funciona. No concelho de Pedrógão Grande, quase um mês depois dos fogos, ainda há pessoas sem televisão, Internet ou telefone fixo

No dia 17 de julho faz um mês que morreram 64 pessoas, mais de 500 casas ficaram afetadas e mais de 410 quilómetros quadros arderam no concelho de Pedrógão Grande. Desde então as telecomunicações apresentam problemas. O mais grave respeita à rede fixa, com consequências no acesso à Internet e à televisão por cabo.

Um dos serviços afetados é o das extensões de Vila Facaia e da Graça, abrangidas pelo Centro de Saúde de Pedrógão Grande, que atendem cerca de 1500 pessoas. Nestas duas aldeias, o sistema informático não funciona, impedindo que sejam disponibilizadas as requisições necessárias ao tratamento de doentes crónicos, como diabéticos, ou a entrega da renovação de baixas médicas, necessárias para que as pessoas afetadas não se apresentem ao trabalho.

“Este é um problema que está a causar intranquilidade junto da população. As pessoas vêm ao Centro de Saúde para tentar renovar as baixas e nós não conseguimos, telefonam para cá e ouvem o sinal de que toca, mas aqui não ouvimos porque aqui não toca. Não haveria uma forma temporária de ultrapassar a situação?” A pergunta é de Raul Garcia, médico de profissão e presidente da Assembleia Municipal de Pedrógão Grande.

A Administração Regional de Saúde, que tutela Vila Facaia e a Graça, já foi alertada para a situação. “O funcionamento está afetado e a única forma de resolver é ir a Pedrógão pessoalmente, para conseguir emitir o que é preciso, já que este tipo de rotinas não pode ser substituída por papéis preenchidos à mão e, para algumas destas pessoas, uma deslocação de 12 quilómetros para cada lado não é fácil”, afirma Raul Garcia.

O autarca tem conhecimento direto da situação vivida em Vila Facaia e na Graça e diz ter visto ainda esta terça-feira “trabalhadores das empresas de telecomunicações no terreno”, mas garante que “o serviço ainda não foi reposto em muitas das aldeias do concelho”, situação confirmada ao Expresso também pelo Gabinete de Apoio, criado esta semana pela Câmara de Pedrógão Grande para dar suporte aos esforços de reconstrução da zona após o incêndio.

Contatada pelo Expresso, a PT Portugal garante que a rede fixa já foi reposta em Pedrogão Grande, embora admita que possa haver um “constrangimento técnico pontual” que pode estar a afetar as comunicações dos Centros de Saúde desta localidade.

Habitante do Outeiro de Nodeirinho, uma das aldeias afetadas pelos fogos, Dina Duarte confirma que “em termos de telecomunicações continuamos às escuras, o que já não faz sentido”. Diz ainda que “só tem televisão quem tem satélite, porque quem depende da fibra não tem” e que “muitas queixas têm sido feitas, como forma de pressão, mas os trabalhadores não dão quaisquer datas para o problema estar resolvido”.

A porta-voz da dona da Meo contrapõe que “já foi reposta 98% da infraestrutura de rede fixa nos concelhos afectados pelo incêndio e que os restantes 2%, que ligam pequenas aldeias e casas isoladas, vão ficar operacionais até ao dia 20 de julho”.