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Mortes na estrada não abrandam

Tiago Petinga / Lusa

O número de vítimas mortais nos primeiros dez dias de julho está em linha com os dados do primeiro semestre do ano, um período negro, com um aumento recorde de mortes na estrada face ao ano anterior.

Entre 1 e 10 de julho morreram nas estradas portuguesas 14 pessoas, segundo os dados da "informação periódica" da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) complementados com os da GNR e da PSP. A média diária de mortos (1,4) é sensivelmente a mesma, e até um pouco superior, à registada entre janeiro e junho, em que a média de óbitos contados no local do acidente ou a caminho do hospital foi de um 1,3/dia.

No primeiro semestre houve 237 mortos nas estradas portuguesas, uma subida de 23% face a período homólogo do ano passado. É o maior aumento registado, pelo menos, nas duas últimas décadas. [Os dados de 2017 não englobam as vítimas mortais de Pedrógão Grande que morreram dentro das suas viaturas].

Desde 1998/99, só em mais quatro ocasiões as mortes verificadas no primeiro semestre haviam subido face ao ano anterior. Com exceção de 2015 (aumento de 11,5%), todos os outros acréscimos situaram-se na casa de um dígito e dois deles foram residuais (5,5% em 2002; 0,8% em 2005; e 1,6% em 2007).

Feridos graves também em alta

Nos feridos graves, entre 1 e 10 de julho, foram registados 58 casos. É uma média (5,8/dia) ligeiramente superior à do primeiro semestre (5,3/dia). Nos primeiros seis meses do ano foram contabilizados 974 ocorrências, o que traduziu um aumento de 5% face a 2016.

A Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) fala de um "aumento brutal da sinistralidade grave" no primeiro semestre e vê a situação como "alarmante". Num quadro em que diminuiu ligeiramente o número total de acidentes (mas quando se desconhecem ainda os dados oficiais sobre os sinistros com danos corporais, os casos que são verdadeiramente relevantes), “o que aumentou grandemente foi a gravidade dos acidentes”, afirmou José Miguel Trigoso, o secretário-geral da PRP.

Esta organização coloca os números agora conhecidos em perspetiva: a estatística agora conhecida "contrasta de forma muitíssimo significativa com a redução média anual de 7,7% registada ao longo dos últimos 20 anos".

Explicações no Parlamento

O Governo considera o aumento registado nos primeiros seis meses "extremamente preocupante". Numa primeira reação, há precisamente uma semana, o Executivo anunciou a entrada em "pleno funcionamento" do Sistema Nacional de Controlo de Velocidade. Trata-se do SINCRO, no qual 30 radares vão sendo colocados, em rotatividade, por 50 cabinas instaladas por todo o país.

Contudo, no final da semana, as mesmas fontes oficiais informaram que apenas 21 radares estavam então operacionais (pois da meia centena de locais de controlo de velocidade só 21 se encontravam nas devidas condições de funcionamento).

O reforço de ações de fiscalização em áreas urbanas e vias municipais (visando o excesso de velocidade e o uso de telemóveis), e o lançamento de ações de sensibilização são outras das medidas tomadas pelo Governo para tentar travar o atual quadro de sinistralidade.

Os números de 2017 divergem das metas oficiais sobre segurança rodoviária. O assunto estará na tarde desta terça-feira em debate no Parlamento, na audição de Jorge Jacob, presidente da ANSR. Aquele responsável será ouvido, a requerimento do PSD, sobre o PENSE 2020 - Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária.