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Mercenários suspeitos de assalto em Tancos

A vedação do lado norte do paiol de Tancos foi remendada em dois locais diferentes. A torre de vigia mais próxima encontra-se degradada

Jaime Figueiredo

Grupo atua no estrangeiro por conta própria. Militar de Tancos preso em 2016 por tráfico de armas

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O grupo de três ou quatro homens que assaltou o paiol de Tancos há duas semanas faz parte das dezenas de contractors portugueses— mercenários — que atuam por conta própria em vários pontos do globo. Muitos são soldados que estiveram nas forças especiais (Comandos, Paraquedistas, Rangers ou Fuzileiros) e recebem grandes quantias por arriscadas operações avulso em zonas de conflito ou na segurança privada aos chamados “senhores da guerra” do Sahel e a homens de negócios do Médio Oriente. Esta é uma das principais suspeitas seguidas na investigação ao roubo do armamento militar.

“Estamos a seguir a pista destes mercenários que terão sido contactados por uma organização do crime internacional que lhes encomendou o material”, conta uma fonte próxima do processo. Uma informação que vai ao encontro das suspeitas da Procuradoria-Geral da República de que o roubo está relacionado com “a prática de crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional”.

Estes contractors desenvolveram nos últimos anos contactos com milícias do Norte de África, que precisam do tipo de armamento roubado em Tancos, mas também com grupos separatistas da Córsega, ligados a extorsões no Sul de França, ou máfias europeias associadas a assaltos a carrinhas de valores e a sedes de bancos com recurso a armas de guerra.

Excerto do texto publicado no primeiro caderno do Expresso de 8 de julho.