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Sociedade

Agentes da PSP acusados de racismo contra detidos da Cova da Moura

Todos os 18 agentes da esquadra de Alfragide, que controla o bairro da Cova da Moura, estão acusados de vários crimes de ódio e discriminação racial. Uma decisão sem precedentes que resulta de uma investigação da Polícia Judiciária que conclui que a PSP mentiu e torturou e sequestrou seis jovens, num caso que remonta a 2015

5 de fevereiro de 2015, 14:00. Bruno Lopes, um jovem da Cova da Moura, é levado para a esquadra de Alfragide acusado de apedrejar uma viatura da PSP. Flávio Almada e Celso Barros, outros dois jovens com trabalho reconhecido nos projetos de inclusão social da Associação Moinho da Juventude, são alertados. Com mais quatro amigos, dirigem-se à esquadra assombrados pelos relatos que dão conta do espancamento e dos comentários racistas que antecederam a detenção do primeiro.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, e sem que fossem provocados, os agentes que se encontravam naquela esquadra da PSP começaram a agredir os jovens, arrastados entre insultos raciais. Dois conseguiram fugir; quatro ficaram e viram um quinto elemento, que estaria num estabelecimento comercial nas imediações, a ser arrastado e atirado para o chão da esquadra.

Algemados, espancados, gritaram por ajuda mas acabaram detidos 48 horas, o prazo legal para serem presentes a um juiz de instrução criminal que acabaria por sujeitá-los a termo de identidade e residência. Uma medida que, dois anos depois, a Unidade Nacional de Contraterrorismo da Judiciária considera inadequada, já que o cruzamento de depoimentos e relatórios médicos provam que todos os polícias da esquadra de Alfragide mentiram.

E é essa mesmo a convicção do Ministério Público, que acusa os 18 agentes de crimes de tortura, sequestro, injúria e ofensa à integridade física, crimes agravados pelo ódio e pela discriminação racial, em alguns casos pela falsificação de testemunhos e autos de detenção, noutros pela omissão de auxílio e denúncia de um crime público.