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Vimeo rende-se aos gigantes e desiste da guerra do “video-on-demand”

D.R.

Apesar de andarem às compras de direitos de licenciamento de séries e filmes e de se terem posto ao caminho para adquirir guiões para a produção de conteúdos originais, os responsáveis do Vimeo começaram a desacelerar nos meses mais recentes face aos movimentos de outros musculados “players” neste campo de batalha

Luís Proença

Tinham anunciado, alto e bom som, que “iam seguir os passos da Netflix”, mas ficam-se mesmo por onde estão. O projeto do Vimeo de dar o salto em frente e lançar um serviço de subscrição VOD (“Video-On-Demand”), ao estilo Netflix, Amazon, Hulu ou YouTube Red, não vai afinal acontecer. Um porta-voz da IAC, a companhia norte-americana que detém o Vimeo, veio confirmar que “foi decidido não avançar com o serviço de programação original por subscrição”. Aliás, a equipa criada na primavera passada para desenvolver o projeto acaba também por ser desmantelada.

O Vimeo, a segunda maior plataforma global de partilha de vídeos (a seguir ao YouTube) possui mais 760 mil subscritores que pagam para fazer uso das ferramentas digitais disponibilizadas para compor vídeos e cerca de 240 milhões de espectadores mensais. Joey Levin, o CEO da IAC, diz que se trata de uma “decisão difícil”, mas que “a oportunidade que têm pela frente para capacitar os criadores é muito vasta para estarem a atacar qualquer outra coisa que fique fora deste foco”.

Por entre as razões para acionar marcha-atrás nesta corrida, torna-se evidente que o Vimeo chegou tarde. Tentar entrar agora na disputa por uma fatia do bolo anual de quase 500 mil milhões de euros do mercado de televisão e cinema “on-demand” iria requer um investimento colossal na aquisição de conteúdos, designadamente originais que poderia até comprometer as boas contas da empresa antes de chegar às margens seguras de retorno.

Joey Levin, Chief Executive Officer da IAC

Joey Levin, Chief Executive Officer da IAC

d.r.

Apesar do inverno passado terem anunciado a entrada neste território tão tomado de assalto por vários gigantes, o Vimeo persiste em ser percecionado como uma plataforma com outra matriz.

O serviço “Vimeo On Demand” (lançado há quatro anos) tem atualmente mais de um milhão de clientes, mas o tamanho (da carteira de subscritores) conta. A Netflix ronda os 100 milhões, o que já basta para fazer comparações sobre a competitividade duns e doutros. E a história da guerra pelos clientes do vídeo-streaming não acaba por aqui. Apesar de andarem às compras de direitos de licenciamento de séries e filmes e de se terem posto ao caminho para adquirir guiões para a produção de conteúdos originais, os responsáveis do Vimeo começaram a desacelerar nos meses mais recentes face aos movimentos de outros musculados “players” neste campo de batalha.

Os passos dados pela Apple em direção aos originais, nomeadamente com as recentes contratações de dois executivos de topo da Sony Pictures Television para o efeito e pelo facto do Facebook ter anunciado a entrada em cena, pré anunciado que estão dispostos a pagar mais de três milhões de euros por episódio de programação de alta qualidade e de estarem já a trabalhar com os industriais de Hollywood, conduziu o Vimeo a reconsiderar e a abdicar de prosseguir nesta aventura do VOD.