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Sexo oral está a espalhar ‘super gonorreia’. Casos em Portugal quadruplicaram

Organização Mundial da Saúde emitiu alerta sobre o aumento das infeções resistentes aos antibióticos mais comuns. Preservativo é a 'arma letal' contra a bactéria, que em Portugal aumentou mais de quatro vezes em apenas cinco anos

É uma nova ameaça: casos de gonorreia que os médicos não conseguem tratar com os antibióticos mais comuns. A prática de sexo oral sem preservativo está a gerar bactérias cada vez mais resistentes e a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre o aumento dos casos de ‘super gonorreia’.

Em Portugal a doença, também conhecida por esquentamento, é de declaração obrigatória e os números mostram que aumentou mais de quatro vezes em apenas cinco anos. Segundo os dados da Direção Geral da Saúde disponíveis, em 2010 foram registadas 89 infeções e em 2015 o número já tinha aumentado para 468. Não estão publicados dados para 2016 e 2017, mas olhando para o passado percebe-se que é preciso recuar até 1982 para encontrar uma expressão tão elevada da gonorreia, então com 682 notificações.

A OMS está preocupada com a evolução desta doença sexualmente transmissível pois em 77 países já se desenvolveu a ‘super gonorreia’. Os peritos descobriram que a bactéria desenvolveu uma resistência generalizada ao antibiótico ciprofloxacino e que já está a tornar-se mais forte do que a azitromicina. Até agora, há registo de casos sem tratamento eficaz no Japão, França e na vizinha Espanha.

A gonorrreia não tratada pode provocar infertilidade, doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, além de aumentar o risco de contrair outras doenças sexualmente transmissíveis, desde logo VIH. Segundo a OMS, um em cada dez homens e quase metade das mulheres com a infeção não têm nenhum sintoma da doença. A gonorreia afeta os órgãos genitais e um dos sinais de alerta é o aparecimento de secreção verde ou amarela. A prevenção é simples: usar preservativo nas relações sexuais.