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Sociedade

5 livros, 5 discos, 5 reportagens: como melhorar os dias de praia

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As estradas entopem rumo a sul, as viagens encarecem, os escritórios estão vazios e as escolas fecham as portas. Se faz parte do grupo que aproveita o início de julho para ir de férias, este texto é para si: estes são os livros, discos e jornais que tem de levar na mala

dISCOS

“4:44”, Jay-Z

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Estávamos em abril do ano passado quando Beyoncé surpreendeu o mundo ao lançar um disco surpresa, acompanhado de um filme surpresa e de uma espécie de história surpresa também: “Lemonade”, o disco em que nos permitiu espreitar o lado mais privado da sua vida, contava sem subtilezas as traições do marido, Jay-Z, e foi elogiado como uma obra feminista e uma demonstração de força e poder.

Mais de um ano depois chegou a altura de ouvirmos o lado da história de Jay-Z (que em nada contradiz a esposa), no novo “4:44”. A faixa que dá nome ao disco tem sido das mais elogiadas e será das mais sinceras da carreira do rapper veterano, e é ali que Jay-Z confessa ao mundo os seus erros: “Demorei demasiado a fazer esta canção / Eu não te mereço”. Além de recolher elogios da crítica, o disco conta com o selo de aprovação do atual rei do rap, Kendrick Lamar, que escreveu no Twitter assim que "4:44” saiu: “Wow. O mestre”.


Banda sonora original de “Moonlight”, Nicholas Britell

Não ganhou no capítulo da música, mas sagrou-se melhor filme nos óscares de 2016 – o momento que mais emocionante ficou depois de “La La Land” ter sido dado como vencedor, graças a uma troca de envelopes – e conta com todas as faixas adequadas para acompanhar o crescimento de Chiron, os encontros secretos na praia e os conselhos do seu quase “padrinho”, Juan. “Little’s Theme”, que tem tanto de encanto como de terror, “Chiron’s Theme” e “Black’s Theme” - uma triologia que representa as três fases da vida do protagonista – foram o ponto de partida para encontrar o som de “Moonlight”.

“Alexander Search”, por Alexander Search

O nome não é habitual, como não o é o projeto: “Alexander Search” é o nome por trás do qual se escondem Salvador Sobral, com o heterónimo Benjamin Cymbra, e Júlio Resende, aqui chamado Augustus Search. A ideia dos heterónimos veio, como não podia deixar de ser, de Fernando Pessoa – era dele o heterónimo Alexander Search – e os seus poemas serviram de base ao improvável projeto de rock eletrónico. Se seguir este conselho e ouvir o disco enquanto está na praia, pode ouvir as canções ao vivo já no dia 13 no Super Rock, em Lisboa, mas Salvador (ou Benjamin) já avisou que os fãs terão de esperar por outra altura para voltar a ouvir “Amar pelos Dois”.

“Purple Rain”, edição Deluxe, de Prince

A música não é nova, mas é inesquecível e merece ser revisitada: a edição deluxe de “Purple Rain” (originalmente de 1984) chega um ano depois da morte inesperada de Prince, com uns escassos 57 anos, e lembra-nos do génio que ele foi, para depois nos curar com boas memórias. São 35 canções e tr~es discos cheios de música que na altura não foi lançada e que chegará para fazer a banda sonora de umas longas férias.

“B-sides and Rarities”, Beach House

Poucas bandas conseguirão o feito de juntar canções de todas as suas épocas, sem cronologia nem ordem particular, e dar a sensação de se estar a ouvir um disco novo, coeso, que conta histórias com sentido. Mas assim é “B-Sides and Rarities”, a novidade dos Beach House que poucas novidades traz – no meio das canções doces resgatadas após anos de gravações fracas e lados b escondidos, esteja atento a “Chariot”, “Used to Be” ou à versão muito alternativa de “Play the Game”, dos Queen.

Livros

“Cento e onze discos portugueses – A música na rádio pública”

de Henrique Amaro e Jorge Guerra e Paz

Começou por ser pensado como “antologia de discos simbólicos para a rádio portuguesa” mas tornou-se mais do que isso: lançado de fresco, “Cento e onze discos portugueses” é um guia feito pela Antena 3 em jeito de comemoração dos 80 anos da rádio pública em Portugal e inclui tudo o que é música que mudou a história do som português. Os organizadores convidaram investigadores, jornalistas e críticos para fazer e defender estas escolhas, com uma regra principal: cada artista só pôde ser representado por um dos seus discos nesta antologia, o que só torna o resultado mais curioso.

“A orgia do poder”

de Pippo Russo

Os jogadores podem ter umas semanas de praia, mas o futebol não tira férias e esta é uma sugestão de leitura para os adeptos do desporto rei. “A orgia do poder”, do jornalista italiano Pippo Russo, conta a história do superagente Jorge Mendes e promete explicar “como este português se tornou uma das mais proeminentes figuras da economia global do futebol”, sem poupar detalhes.

“Escrito na água”

de Paula Hawkins

O nome de Paula Hawkins já não é novidade, especialmente para quem gosta daqueles thrillers e histórias de crime adequados a saborear na praia ou na piscina. Por isso, este sucessor de “A Rapariga no Comboio” (que teve direito a adaptação ao grande ecrã, protagonizada por Emily Blunt) poderá ser uma boa opção para quem quiser levar um livro viciante na mala de viagem. “Escrito na água” promete uma história de suspense sobre um rio misterioso e um crime sem explicação.


“Os herdeiros da terra”

de Ildefonso Falcones

Dez anos passados desde o sucesso de “A Catedral do Mar”, o escritor espanhol Idefonso Falcones volta à Barcelona do século XIV para continuar o enredo histórico que lhe valeu fãs por todo o mundo – incluindo em Portugal, onde a tradução de “Os herdeiros da terra” está disponível para pré-venda e chega às prateleiras esta quarta-feira.

“Rita Lee – Uma Autobiografia”

de Rita Lee

Conhecer a história completa de Rita Lee, sem tabus, parece uma promessa sedutora; conhecê-la pelas palavras da própria (e com direito a prefácio de Rui Reininho) é uma proposta difícil de recusar. Nesta autobiografia, a estrela conta tudo sobre “os primeiros passos na vida artística, a prisão em 1976” ou a última overdose, abrindo-nos um buraquinho da fechadura para podermos espreitar.

Reportagens

“Uber's Opportunistic Ouster”, New Yorker

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A 23 de fevereiro, começou a circular pelos funcionários da Uber uma carta aberta em resposta à queixa por assédio sexual de uma engenheira da empresa. “Observámos alguns padrões tóxicos [na empresa]”, escreviam então os investidores Freada Kapor Klein e Mitchell Kapor. É este o ponto de partida para a reportagem assinada por Sheelah Kolhatkar, que traça a história das polémicas que rodearam a demissão do ex-CEO, Travis Kalanick. LER AQUI

“Al-Jazeera, insurgent TV station that divides the Arab world, faces closure”, The Guardian

Há poucos meios informativos com uma história tão cheia e que tenham sido alvo de tantos ataques como a Al-Jazeera, a televisão do Qatar que há 21 anos começou a desafiar o poder da região. Agora, numa altura em que países como a Arábia Saudita ou o Egito incluem o fecho da Al-Jazeera numa lista de exigências feitas ao Qatar sob ameaça de sanções económicas e diplomáticas, o jornalista e autor especializado no Médio Oriente Hugh Miles explica a história, ascensão e possível queda da poderosa estação. LER AQUI

Laura Poitras on her WikiLeaks film Risk: ‘I knew Julian Assange was going to be furious’, The Guardian

Quando obteve autorização para se infiltrar no núcleo mais privado da Wikileaks e filmar um documentário sobre Julian Assange, Laura Poitras era fã do herói das fugas de informação - já tinha filmado “Citizenfour”, com Edward Snowden - e mal podia esperar pela oportunidade de descobrir os seus segredos e motivações. Descobriu demasiado: quando mostrou a Assange a primeira versão de “Risk”, recebeu uma reação furiosa e ordens de voltar a editar. A história está toda contada nesta entrevista, conduzida por Simon Hattenstone. LER AQUI

“A Math Genius Blooms Late and Conquers His Field”, Wired

Quis ser poeta, foi rejeitado por quase todas as universidades a que se candidatou e convenceu-se que não sabia fazer contas: assim começa a história improvável de June Huh, que hoje, com 34 anos, nos é apresentado como estando “no pináculo do mundo matemático”. A vida do herói improvável dos números é relatada, em forma de história, por Kevin Hartnett. LER AQUI

“Trump's Lies”, The New York Times

A categoria é opinião, mas a enumeração em formato interativo de David Leonhardt e Stuart A. Thompson quer-se rigorosa, ou não tratasse de listar cada um dos “factos alternativos” que o presidente norte-americano pronunciou, desde o dia em que tomou posse, e posteriores desmentidos. A 25 de janeiro, por exemplo, foram três - uma delas é a ocasião em que Trump insistiu que o público na sua cerimónia de tomada de posse foi “a maior de sempre”. LER AQUI