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Portugal ultrapassa a França e o Reino Unido e torna-se o país com a 17ª melhor reputação mundial

Os inquiridos pelo Reputation Institute que percecionam um país como tendo uma reputação forte, como Portugal, mostram maior vontade de o visitar para fazer negócios ou turismo

Paulo Vaz Henriques

O ranking de 2017 do Reputation Institute (EUA), que envolve as 55 maiores economias do mundo, é baseado no nível de desenvolvimento, na qualidade de vida e no desempenho das instituições públicas. E revela que Portugal sobe duas posições na reputação mundial

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Maior qualidade de vida, mais desenvolvimento económico e melhor governação levaram Portugal a conquistar o 17º lugar do “2017 Country RepTrak”, o mais influente ranking mundial da reputação dos países, publicado anualmente pelo Reputation Institute (EUA).

Portugal sobe dois lugares em relação a 2016 e ultrapassa o Reino Unido (18º lugar), que teve uma queda de cinco lugares por causa do Brexit, e França (19º lugar), que caiu quatro lugares devido ao fraco desempenho económico e ao clima de insegurança provocado pelos atentados terroristas.

O Reputation Institute salienta que “países ditos periféricos como a Espanha e Portugal continuam a melhorar a sua reputação e a subir no ranking à medida que as suas economias recuperam”. E Fernando Prado, um dos gestores do instituto com sede em Boston, nos EUA, constata que “a reputação de um país tem um impacto direto no turismo, nas suas exportações e no investimento estrangeiro”.

Impacto nos negócios e no turismo

Fernando Prado dá um exemplo concreto: “Quando o turismo sobe um ponto na avaliação de um país no ranking, essa evolução tem o efeito de aumentar em 0,09 pontos a entrada de turistas nesse país”.

Por outro lado, os inquiridos que percecionam um país como tendo uma reputação forte, como é o caso de Portugal, mostram maior vontade de o visitar para fazer negócios ou turismo, ou de recomendar esse país para viver, trabalhar, investir, estudar ou comprar produtos. O impacto pode ser medido: por exemplo, a subida de um ponto na reputação do país num determinado mercado está correlacionada com um aumento de 3,1% no número de visitantes desse mercado e com um aumento de 1,7% nas exportações para esse mercado.

O Country RepTrak mede a reputação das 55 maiores economias do mundo, baseado na avaliação de 17 indicadores agrupados em três dimensões: “governo efetivo”, “economia avançada” e “ambiente atraente”. Esta avaliação é feita através de um inquérito a 39 mil cidadãos dos países do G8 (França, Reino Unido, Itália, Alemanha, EUA, Canadá, Rússia e Japão).

Foto José Carlos Carvalho

Cerca de 37% da reputação nacional vem das perceções dos inquiridos sobre a governação do país (segurança pública, ética com elevada transparência e baixa corrupção, responsabilidade internacional, políticas sociais e económicas, eficiência da governação, criação de ambiente favorável aos negócios), 37,9% vem das perceções sobre o seu ambiente (hospitalidade do país, beleza, qualidade de vida), e 25,1% vem das perceções sobre a situação económica (mão-de-obra qualificada e disponível, contribuições para a cultura global, produtos e serviços de alta qualidade, valorização da educação, tecnologias avançadas, marcas bem conhecidas).

EUA tem maior queda por causa da presidência de Trump

O ranking de 2017 é liderado pelo Canadá (ver gráfico no início do texto) e a descida mais vertiginosa aconteceu com os EUA, que passou da 28ª para a 38ª posição – uma queda de dez lugares –, estando agora colocado entre o México e a Venezuela. O relatório do Reputation Institute sublinha que “a presidência de Donald Trump está a ter sérias consequências para a reputação dos EUA”.

O documento refere que os principais recuos dos EUA estão concentrados em variáveis como “governo efetivo” (-21,6%), “políticas sociais e económicas progressivas” (-11,8%), “país ético com elevada transparência e baixa corrupção” (-11%) e “participante responsável na comunidade internacional” (-9,2%).

“Quando o turismo sobe um ponto na avaliação de um país no ranking, essa evolução tem o efeito de aumentar em 0,09 pontos a entrada de turistas nesse país”

“Quando o turismo sobe um ponto na avaliação de um país no ranking, essa evolução tem o efeito de aumentar em 0,09 pontos a entrada de turistas nesse país”

Foto Luís Barra

O ranking do Reputation Institute classifica globalmente os 55 países com os maiores PIB do mundo em cinco categorias: reputação excelente (os primeiros sete lugares do ranking), forte ou robusta (os 13 países seguintes, onde se inclui Portugal), moderada (do 21º ao 29º lugares), fraca (do 30º ao 51º, onde encontramos EUA, Israel, China, Coreia do Sul ou Rússia) e muita fraca (os restantes países, com o Iraque em último lugar).

Curiosamente, há uma diferença por vezes acentuada entre o nível da reputação externa e interna de um país. O caso mais típico é o da Rússia, que tem a segunda melhor reputação interna do mundo devido ao forte nacionalismo dos seus habitantes, mas que na reputação externa é empurrada para o 51º lugar do ranking de 2017. No Reino Unido também existe este contraste, embora menos marcado.

Como diz o relatório do Country RepTak 2017, “acima de tudo a reputação de um país é uma perceção emocional de cada pessoa construída através da experiência direta, da informação que obtém, das perspetivas transmitidas por outros e dos esteriótipos geralmente aceites”.