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IPMA: Só há 5% de hipótese do fogo em Pedrógão ter origem num raio

Instituto Português do Mar e da Atmosfera diz que o downburst ajuda a explicar a agressividade do incêndio que destruiu 26 mil hectares e várias centenas de habitações em Pedrógão Grande

O relatório do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) sobre o incêndio de Pedrógão Grande revela que só há 5% de probabilidade de a ignição ter sido provocada por trovoada, tal como foi indicado pela PJ.

O IPMA realizou esta quarta-feira uma conferência de imprensa complementar ao relatório já conhecido, referindo, mais uma vez, que há uma probabilidade baixa de terem ocorrido descargas elétricas (raios) na proximidade do local e na hora de início do incêndio de Pedrógão Grande.

"As descargas nuvem-solo que foram detetadas próximo do local do incêndio ocorreram às 17:37 horas, 18:53 e 20:54, sendo que as 14:43 são a hora de referência do início do incêndio", explicou o coordenador do estudo, Nuno Moreira.

Assim, o relatório sugere que há uma probabilidade baixa, no entanto não nula, de uma descarga nuvem-solo na proximidade do local do início do incêndio", acrescentou o técnico do IPMA.

A meteorologista Sandra Correia acrescentou que existe "uma margem de erro" e que "a rede poderá não ter apanhado alguma descarga", mas confirmou tudo indicar "que, mais perto do local, estas descargas só se verificaram a partir do meio da tarde até à noite".

"Não detetámos nenhuma descarga à hora do incêndio", frisou.
O meteorologista Paulo Silva sublinhou que "tendo em conta a atividade convectiva [instabilidade atmosférica] próximo da zona de Escalos Fundeiros [aldeia de Pedrógão Grande], permite concluir, segundo o radar, que a nuvem, nesse instante preciso, não tinha maturidade para produzir descarga nuvem-solo, logo teria sido posterior".

Em relação a um 'downburst' (um vento de grande intensidade e junto ao solo que, a partir de determinado ponto, sopra em linha reta em todas as direções), Nuno Moreira referiu que "foi possível observar esse fenómeno por radar em várias regiões do alto Alentejo, mas que não foi detetado nenhum próximo do local do incêndio".

O 'downburst', adianta o IPMA, ajuda a explicar a agressividade do incêndio que destruiu 26 mil hectares e várias centenas de habitações, já que o fogo o pode incrementar.

"Identificou-se uma ativação da pluma de incêndio e essa ativação, sugerem os dados, pode ser devido ao 'donwburst', mas que não é diretamente observado", explicou Nuno Moreira, ressalvando que estes fenómenos de correntes descendentes são raros.

No dia 17 de junho, as estações meteorológicas de superfície também detetaram rajadas de vento de 80 quilómetros hora em Proença-a-nova.

Os técnicos do IPMA referiram ainda que, por volta da 19h25, foi detetada uma primeira ativação da pluma de incêndio e que esta, repentinamente, passou para os 20 quilómetros.

No documento, enviado ao primeiro-ministro, é explicado que o incêndio de Pedrógão "deflagrou e desenvolveu-se num quadro meteorológico caracterizado por uma situação de calor e secura extrema, instabilidade atmosférica com ocorrência de trovoadas, sem precipitação na região e rajadas intensas de vento".

O incêndio que deflagrou em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pera.

As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e por Penela.

Este fogo, juntamente com outro que deflagrou no mesmo dia em Góis, que alastrou a Arganil e Pampilhosa, terão afetado aproximadamente 500 habitações, 169 de primeira habitação, 205 de segunda e 117 já devolutas.

Quase 50 empresas foram também afetadas, assim como os empregos de 372 pessoas.