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PJ detém 12 militares e 4 empresários por suspeitas de corrupção na Força Aérea

Entre os detidos está um major-general. Grupo é suspeito de sobrefaturação de bens e matérias-primas para a confeção de refeições nas messes da Força Aérea. No total já foram detidas 20 pessoas na operação que se iniciou em novembro do ano passado. Esquema terá lesado o Estado em um milhão de euros

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) e no âmbito de um inquérito dirigido pelo DIAP de Lisboa, deteve doze militares e quatro empresários ligados ao ramo da comercialização de géneros alimentícios.

Este grupo é suspeito dos crimes de corrupção passiva e ativa para ato ilícito, abuso de poder e falsificação de documentos.

Entre os detidos está um major-general, bem como um coronel, um tenente-coronel e um major. Há ainda três capitães e cinco sargentos nestas detenções.

É a segunda fase da Operação Zeus, que teve início em novembro do ano passado. Na altura tinham sido detidos seis militares.

Ou seja, entre as diligências de novembro e agora as de julho foram detidas vinte pessoas. O esquema terá lesado o Estado em milhão de euros.

Nesta última operação, a PJ realizou 36 buscas em Lisboa, Porto, Santarém, Setúbal, Évora e Faro, das quais 31 domiciliárias e 5 não domiciliárias. Foram apreendidos documentos e material relacionado com a atividade criminosa em investigação.

De acordo com o comunicado enviado às redação, a Judiciária revela que o modus operandi deste grupo consistia na sobrefaturação de bens e matérias-primas para a confeção de refeições nas messes da Força Aérea, e posterior divisão entre os militares e os empresários do saldo relativo à diferença entre o valor da fatura original, ou seja, o valor efetivo da venda dos produtos alimentares e o valor sobre faturado ao Estado.

Na operação participaram 130 elementos da Polícia Judiciária e 10 magistrados do Ministério Público e também com a colaboração da Polícia Judiciária Militar.

"A investigação prossegue com vista à continuação de recolha de prova", diz a PJ. E os detidos serão presentes a tribunal, para determinação das medidas de coação.