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Mortos na estrada: Governo considera aumento “extremamente preocupante”

Face à subida de 23% de vítimas mortais no primeiro semestre deste ano (o maior aumento em 20 anos), o Governo acelerou a entrada em funcionamento da rede de radares rotativos (o SINCRO), reforçou também por outras vias a fiscalização ao excesso de velocidade e vai lançar ações de sensibilização

A entrada em "pleno funcionamento" do Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (o SINCRO, no qual 30 radares vão sendo colocados, em rotatividade, por 50 cabinas instaladas por todo o país), o reforço de ações de fiscalização em áreas urbanas e vias municipais (visando o excesso de velocidade e o uso de telemóveis), e o lançamento de ações de sensibilização são algumas das medidas tomadas pelo Governo para tentar travar o quadro crescente de sinistralidade nas estradas portuguesas.

No primeiro semestre deste ano o número de mortos subiu 23% face a período homólogo de 2016. Trata-se do maior aumento das últimas duas décadas (pelo menos, pois as estatísticas oficiais "on line" não permitem recuar ppara antes de 1998, para uma análise àquela unidade de tempo).

É uma "situação extremamente preocupante", assume fonte do ministério da Administração Interna (MAI), em resposta a questões colocadas pelo do Expresso. É o MAI que tutela a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), entidade que recolhe os dados enviados por PSP e GNR.

Neste momento, segundo o MAI, já estão instaladas as 50 cabinas nos locais de controlo de velocidade (LCV) dispersos pelo país, pelos quais irão depois rodar os 30 radares que nesta altura fazem parte do arsenal do SINCRO (está previsto um aumento do número de equipamentos). Algumas das cabinas não estão ainda totalmente operacionais, pois encontram-se em "fase de ligação à rede elétrica de baixa tensão" de um distribuidor de energia, esclarece o MAI.

Gabinete de crise reuniu-se a 14 de junho

A decisão de acelerar a entrada em pleno funcionamento do SINCRO foi tomada pelo Governo na sequência de uma reunião do Conselho de Segurança Rodoviária (CSR), realizada a 14 de junho. Naquela data, o Executivo tinha já noção dos negros resultados que iriam marcar este semestre.

O encontro foi presidido pelo secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes. O Conselho é um órgão de natureza consultiva, que reúne os vários intervenientes a nível de trânsito, prevenção e segurança rodoviárias. Na reunião participaram a ANSR, a Proteção Civil, GNR, PSP, INEM, entre outras entidades públicas.

Da reunião de Jorge Gomes com o Conselho de Segurança Rodoviária sairam outras medidas, como o "reforço da fiscalização rodoviária em áreas urbanas, vias municipais, condução em velocidade excessiva e condução distraída devido à utilização de dispositivos eletrónicos e de telecomunicações".

Não havendo ainda uma radiografia das causas deste súbito aumento de vítimas mortais, na terapia de resposta do Governo há dois alvos: os excessos de velocidade e as distrações ao volante provocados pelo uso de telemóveis, entre outros equipamentos.

O "lançamento nos meses de julho e de agosto de ações de sensibilização para ciclistas, motociclistas e peões" foi outra das medidas tomadas pelo Executivo em meados de junho.

MAI ainda sem explicações para o aumento de mortos

Questionado pelo Expresso sobre a grande subida do número de mortos nas estradas portuguesas (contados no local do acidente ou a caminho do hospital), o Governo diz que ainda é prematuro encontrar respostas. "Em sinistralidade rodoviária, não existe uma única causa ou explicação para aumentos ou diminuições abruptas, tal como se verificou num pequeno período do último semestre (a partir de maio). Estas resultam sempre de um conjunto de fatores que apenas podem ser conhecidos, individualmente considerados e nas suas correlações, a posteriori", afirma o MAI.

O aumento de 23% registado em 2017 é o maior dos últimos 20 anos, mas em 2015 ocorreu o segundo mais significativo (11%). De resto, desde 1998-1999, só por cinco vezes houve um acréscimo do número de mortos (sendo os outros três casos pouco expressivos), ao contrário da curva signficativa da (grande) melhoria na segurança rodoviária em Portugal. Será que os dados de 2017, conjugados com os de 2015, significam que "há uma inversão da tendência que vinha a crescer sustentadamente?"

O Governo acha que não. "Considerando que a sinistralidade rodoviária é uma realidade que deve ser observada em períodos relativamente longos – para evitar conclusões precipitadas –, não se pode falar, neste momento e com este período tão curto, de uma inversão de tendência. É uma situação extremamente preocupante, por certo, e para a qual já foram e estão a ser tomadas medidas concretas", responde o MAI.