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Incêndios: Bombeiros querem 1.200 profissionais nas florestas todo ano

Miguel A. Lopes/Lusa

Pelas contas da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais esta medida que custaria anualmente cerca de 20 milhões de euros

A Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) defendeu esta terça-feira a existência de 1.200 bombeiros florestais profissionais em Portugal, preparados para prevenir e combater fogos durante todo o ano, medida que custaria anualmente cerca de 20 milhões de euros.

"Não gosto de falar em visões amadoristas, o certo é que as coisas têm falhado. Tal como existe nos países vizinhos, devemos ter bombeiros especializados em incêndios florestais ao longo do ano", afirmou o diretor nacional da ANBP, Domingos Morais, no âmbito de uma audição parlamentar no grupo de trabalho da Reforma das Florestas.

Com base no relatório anual das áreas ardidas em incêndios florestais em Portugal continental de 2013, Domingos Morais indicou que de 2003 a 2013 os prejuízos anuais dos incêndios são superiores a 205 milhões de euros, advogando que os cerca de 20 milhões que seriam necessários para contratar bombeiros profissionais são um valor inferior àquele que o Estado comparticipa anualmente em termos de prejuízos.

"Para a fase inicial de incêndios em Portugal, os incêndios em Pedrógão e em Góis já estão orçados em 500 milhões de euros", declarou o responsável da ANBP, frisando que o país falha na prevenção.

De acordo com Domingos Morais, o trabalho de prevenção e combate de incêndios florestais durante todo o ano requere a contratação de "cerca de 1.200 bombeiros", o que corresponde a uma despesa anual de cerca de 20 milhões de euros.

"Os fogos evitam-se, não se combatem", afirmou o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Marta Soares, considerando que o trabalho dos bombeiros voluntários portugueses "não é sinónimo de amadorismo, antes pelo contrário".

Segundo Jaime Marta Soares, o combate aos incêndios em Portugal tem vindo a evoluir ao nível dos melhores da Europa e do mundo, graças à "grande capacidade" do associativismo e do voluntariado no âmbito dos bombeiros, já que "96,5% dos bombeiros em Portugal são de associações humanitárias".

Dirigindo-se aos deputados, o presidente da LBP apelou para a implementação do Cartão Social do Bombeiro.

Já o presidente da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV), Rui Silva, alertou que "cada vez existe menos gente disponível para ser bombeiro voluntário", sublinhando que ser bombeiro voluntário "não enche a barriga".

Como incentivo ao voluntariado, Rui Silva defendeu a reposição do estatuto especial do bombeiro, manifestando ainda preocupação em relação às condições dos seguros de acidentes pessoais para os bombeiros voluntários.

No âmbito da audiência parlamentar, o presidente da APBV disse também que é preciso apostar na resiliência das comunidades e dos serviços de segurança, referindo que os cidadãos devem ser instruídos sobre as medidas de autoproteção de incêndios.

O trabalho da reforma das florestas está a ser desenvolvido a partir de cinco projetos de lei apresentados pelo Governo para alterar o regime jurídico aplicável às ações de arborização e rearborização, criar o banco nacional de terras e o Fundo de Mobilização de Terras, criar benefícios fiscais para entidades de gestão florestal, alterar o sistema nacional de defesa da floresta contra incêndios e criar um sistema de informação cadastral simplificada.

Às propostas do executivo juntam-se três projetos de lei do BE para estabelecer um regime jurídico para as ações de arborização, rearborização ou adensamento florestal, aprovar a constituição de unidades de gestão florestal e criar o banco público de terras agrícolas.