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Sociedade

Moedas diz que investimento em inovação e ciência não chega

Comissário Europeu da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas

Luís Barra

Os estados membros devem de colocar a investigação e a inovação entre as prioridades dos orçamentos nacionais e também ao nível europeu. A conclusão é de um relatório independente pedido pela Comissão Europeia. Moedas Concorda. Diz que é preciso mais

Carlos Moedas fala numa "maratona" da inovação que a Europa não "pode deixar de correr", e em que deve lutar por um lugar de liderança. "Os Estados Unidos da América, a China, a Coreia do Sul, o Japão, todos estamos a correr numa maratona e uns têm de correr mais rapidamente do que outros".

E correr mais significa investir mais, porque o investimento atual, diz o Comissário com a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, "não é suficiente". "Acho que uma Europa que investe apenas 8% do seu orçamento total em ciência e investigação vai ter dificuldades no futuro", admite, num recado que é também para os Estados-membros.

"Acho que a Europa tem que investir mais, mas isso tem de ser uma discussão entre os chefes de governo e os chefes de estado (que têm de decidir) o que querem para o futuro da Europa", disse numa conferência de imprensa em Bruxelas.

Os alertas do Comissário para a Investigação, Ciência e Inovação vão ao encontro das conclusões de um grupo independente de alto nível, liderado pelo francês Pascal Lamy, presidente emérito do Instituto Jacques Delors.

Os peritos olharam para o que a União Europeia investe em investigação e inovação e concluíram que há um défice que deve ser corrigido. São onze as recomendações tornadas públicas esta segunda-feira, a começar pela necessidade de colocar a investigação e a inovação entre as prioridades dos orçamentos nacionais mas também da União Europeia.

O grupo de alto nível diz que o programa que venha a suceder ao Horizonte 2020 – programa sob a tutela de Carlos Moedas – deve ver o orçamento duplicado. Atualmente, e para um período de sete anos que começou em 2014, o programa de investigação e inovação da UE conta com 80 mil milhões de euros.

Os peritos dizem ainda que a UE deve explorar melhor o conhecimento que produz e transformar o seu potencial de inovação em crescimento económico. Também os cidadãos devem ser mais envolvidos na resolução de desafios globais através de missões de inovação mobilizadoras.

Numa altura em que o Estados Unidos de Donald Trump viram as costas ao Acordo de Paris sobre as alterações climática, Carlos Moedas diz que a União Europeia deve aproveitar a oportunidade para se afirmar não só nas questões climáticas, mas também noutras áreas.

O Comissário português fala numa "oportunidade de liderança" que a Europa deve agarrar, também para atrair talentos e cérebros, numa altura em que há "mudanças de estratégia" do outro lado do Atlântico.

"Temos aqui a capacidade de ter esses homens e mulheres, esses cientistas para que venham para a Europa", disse em Bruxelas, durante a Conferência de Imprensa, onde foram apresentadas as recomendações do grupo de alto nível para a investigação e inovação na UE.