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IPMA não confirma raio no local onde começou o incêndio de Pedrógão

Miguel Serrano, que vive em Escalos Fundeiros, aponta para o alegado local de origem do incêndio: “Foi aqui que tudo começou”

Nuno Botelho

Relatório do Instituto Português do Mar e da Atmosfera conclui que possibilidade de um raio ter atingido a aldeia de Escalos Fundeiros à hora de início do fogo (14h43) é “baixa”, mas “não nula”. Apenas três horas depois se registou a primeira descarga elétrica atmosférica naquela zona

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) concluiu que a probabilidade de um raio ter atingido uma árvore na aldeia de Escalos Fundeiros, como defendia a Polícia Judiciária numa primeira versão, é “baixa”. A conclusão está registada num relatório do instituto sobre as condições meteorológicas associadas ao incêndio de Pedrógão Grande, que deflagrou a 17 de junho e acabaria por tirar a vida a 64 pessoas, deixando mais de 250 feridas.

“A presente análise sugere uma probabilidade baixa, não nula, de ocorrência de descargas nuvem-solo na proximidade do local de início do incêndio de Pedrógão Grande”, lê-se no documento de 120 páginas pedido por António Costa e entregue na sexta-feira pelo IPMA ao gabinete do primeiro-ministro.

Além do local, também a hora não bate certo com a da tese inicial da Polícia Judiciária. Embora o relatório tenha contabilizado nesse dia 225 descargas elétricas num raio de 50km (a maioria entre a Sertã e a Pampilhosa da Serra), as mais próximas do local de início do incêndio em Pedrógão ocorreram às 17h37, 18h53 e 20h54, a distâncias de 11,6 km, 7,3 km e 8,3 km, respetivamente. Ou seja, a primeira descarga aconteceu pelo menos três horas depois da hora que a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) considerou ter estado na origem do incêndio (14h43).

Para o IPMA, o incêndio alastrou rapidamente devido à ocorrência de fenómenos atmosféricos adversos, como o calor e a secura extrema, instabilidade atmosférica com ocorrência de trovoadas, sem chuva, e com rajadas de vento entre 70 e 90 km/h. E foi amplificado com o fenómeno de downburst, provocado por uma corrente de ar de grande intensidade que se move de forma vertical em direção ao solo, espalhando-se posteriormente de forma radial em todas as direções e originando ventos fortes. Segundo os dados captados pelo radar de Cardigos, por volta das 19h06 gerou-se um downburst de grandes dimensões, que acabaria por afetar “uma área envolvente a uma escala superior a quatro quilómetros”.

À RTP, o diretor de Meteorologia do IPMA, Pedro Viterbo, acrescentou ainda que o distrito de Leiria estava em alerta laranja desde 15 de junho (dois dias antes do incêndio) e que, apesar dos avisos repetidos do instituto à ANPC, nunca passou a alerta vermelho.

Notícia atualizada às 15h11