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Sociedade

Ambientalistas querem taxa para todos os sacos de plástico

Tiago Miranda

Há sectores de comércio a retalho como lojas de roupa, sapatarias, lojas de brinquedos ou farmácias, que continuam a oferecer aos clientes sacos de plástico ou de papel, o que induz no consumidor a continuação do uso do saco não reutilizável

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

A organização ambientalista ZERO defende a criação de uma taxa para todos os sacos de plástico usados pelos consumidores, a propósito da 8ª edição do Dia Internacional Sem Sacos de Plástico, que é assinalado amanhã com iniciativas em todo o mundo.

Desde fevereiro de 2015, quando entrou em vigor uma taxa de 10 cêntimos sobre os sacos de plástico mais finos - com espessura inferior a 0,05 milímetros - que se verificou um acentuado decréscimo no uso deste tipo de sacos de plástico, principalmente nas grandes superfícies comerciais. Em abril desse ano, aliás, foi publicada uma diretiva europeia com o mesmo objetivo.

Em resultado da aplicação desta taxa, a maioria dos operadores comerciais optou por deixar de utilizar sacos de plástico leves e passou a disponibilizar aos seus clientes sacos com maior espessura não sujeitos à taxa, mas cobrando na mesma 10 cêntimos aos clientes, que por isso passaram a optar na sua maioria por sacos reutilizáveis. E em finais de 2016, segundo a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), estimava-se que teria havido uma diminuição de 71% no uso de sacos de plástico.

Sacos continuam nas lojas de roupa e não só

Mas a ZERO constata que noutros sectores de comércio a retalho, como lojas de roupa, sapatarias, brinquedos, farmácias, etc., continuam a ser oferecidos aos clientes sacos de plástico ou papel. "Esta prática não desincentiva a proliferação de plásticos, induzindo no consumidor a continuação do uso do saco não reutilizável", refere um comunicado da organização ambientalista.

Por isso a ZERO defende que a taxação de sacos de plástico "deverá ser extensível a todos os sacos de plástico, independentemente da sua espessura, bem como a sacos de papel, sempre que o seu design seja dirigido para uma única utilização".

A redução dos resíduos de plástico contribuirá para reduzir o seu grande impacto no meio marinho e o envio para aterro, em linha com o que se preconiza no Plano de Ação para a Economia Circular da UE. A Europa (UE, Noruega e Suíça) é considerada uma das principais regiões geradoras de lixo marinho nos oceanos, sendo um dos maiores produtores, consumidores e exportadores de plástico e de resíduos de plástico do mundo.

Em 2014, a Europa produziu 59 milhões de toneladas de plástico (20% do plástico mundial), das quais 39,8% se destinaram a embalagens (incluindo sacos de plástico). Esta produção gerou 25,8 milhões de toneladas de resíduos, dos quais 30,8% foram depositados em aterro. Estima-se que todos os anos os europeus utilizem mais de 100 mil milhões de sacos de plástico.

Contaminação dos oceanos

Os cientistas estimam que em 2050 possa existir mais plástico do que peixe nos oceanos se nada for feito. Todos os anos entram no mar 4,8 a 12,7 milhões de toneladas de plásticos, devido à ausência ou ineficácia dos sistemas de tratamento de resíduos nas zonas costeiras.

Cerca de 6% destes plásticos permanecem à superfície, mas os restantes 94% têm impactos muito significativos nas espécies marinhas, nomeadamente em aves, mamíferos marinhos e tartarugas.

Há também uma contaminação generalizada por microplásticos, tendo sido detetada a sua presença em várias espécies de peixes com valor económico, e ainda no sal marinho, o que significa que os microplásticos estão já a entrar na cadeia alimentar, ameaçando a saúde humana.